sábado, 5 de abril de 2008

Pride And Prejudice

Outro dia conversando com uma amiga brasileira, escutei-a desabafar sobre o que já tinha sofrido de preconceito nas mãos de secretárias inglesas. Ela estava trabalhando como secretária temporária em um grande banco da City.

Obviamente que, quanto maior o nível de educação, menor o preconceito. O americano que quer fechar a fronteira com o México é aquele que vê seu posto de trabalho ameaçado pela mão-de-obra mais barata mexicana. Aqui, aconteceu a mesma coisa com os poloneses há uma década atrás. Eles aceitavam trabalho pela metade do preço que um inglês faria.

A quantidade de mão-de-obra disponível também deve entrar na equação. Secretárias há de sobra, trabalhadores da construção civil também; já na Citi e em Wall Street, ou em Seattle, falta mão-de-obra especializada. E é exatamente nesse ponto que as políticas de imigração mais antigas falham: tratam todo e qualquer imigrante da mesma forma.

Voltando ao preconceito, pois. Eu nunca fui alvo de preconceito, nem nos Estados Unidos nem na Inglaterra. Nem há como. Enquanto todas as secretárias são inglesas, do meu lado esquerdo senta uma francesa, do meu lado direito um chinês, atrás de mim um americano e na minha frente um inglês nascido e criado no Zimbabwe. Só para vocês terem uma idéia da diversidade de nacionalidades que se encontra em um trading floor da City.

A única vez em que achei que alguém foi mais agressivo comigo por causa da minha origem foi no próprio Brasil, mais especificamente quando morava em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Era recém formada em Engenharia e estava fazendo uma daquelas (malditas) dinâmicas de grupo em uma empresa gaúcha. O garoto gaúcho chega para mim e em tom ligeiramente agressivo pergunta:

- O que tu tás fazendo aqui???

Ah, mas a resposta foi imediata, dita em um tom meio matter-of-fact:

- Tomando o seu emprego.

3 comentários:

Frodo Balseiro disse...

Patrícia, na verdade isso, não é preconceito. É auto-defesa, o que é muito natural e existe no mundo inteiro!
Por essa razão, não acredito nem só um minuto na tal "fraternidade dos povos", um mito muito caro às esquerdas!
Na hora que o bicho pega, "farinha pouca, meu pirão primeiro"

PATRICIA M. disse...

Frodo, concordo. E como isso nao acontece nas altas rodas, porque sempre vai haver demanda para trabalho especializado, nunca terei esse tipo de problema.

Que, alias, nao me afeta de forma alguma, ja que, digamos assim, confio no meu taco. Hehehehehe.

Acho que um certo sentimento de inferioridade por parte do imigrante o deixa mais sensivel a comportamentos talvez se analisados friamente nao realmente hostis, mas diferentes da realidade a que ele esta acostumado na sua terra.

Blogildo disse...

O Brasileiro é preconceituoso mesmo! Veja o caso dos paulistas que o Reinaldão anda comentando. A moda dos babacas agora é falar mal de São Paulo e dos paulistas.
Cara, cadê o meu país?