domingo, 30 de março de 2008

Eu Sempre Afirmei Isso

De livros de História mesmo eu só li Casa Grande & Senzala do Gilberto Freyre. Eu não li Raízes do Brasil de Buarque de Hollanda; até me interessei depois desse artigo.

Mas eu sempre afirmei: o nosso problema é o povinho vagabundo que somos. Vagabundo, indolente, preguiçoso, macunaímico, desonesto. Com um povinho assim - e uso a palavra no diminutivo mesmo, que é para rebaixar ainda mais - não há como se construir uma grande nação.

Nascemos assim? Lógico. É a nossa "herança maldita" dos portugueses. Veja bem, não sou de atribuir os nossos problemas aos outros; eu não ligo a mínima quanto de ouro os portugueses extraíram, o quanto eles nos "exploraram" quando fomos colônia. Não é bem isso a que me refiro. O que quero dizer é que herdamos o "sangue ruim" deles, e não um país quebrado.

E não somente deles. Foi uma maldita mistura de raças podres que tivemos no país. Fomos infelizes até nisso. Os nossos índios viviam na Idade da Pedra, nunca tivemos no país uma grande civilização indígena. Nada de maia, azteca ou inca. Não tivemos um Touro Sentado ou um Geronimo. Um bando de pelados andando pelas matas e vivendo da caça e da pesca. Nem roupas eles fabricavam. Para quê, né, nesse calor equatorial...

Dos negros então, ai ai ai. Falar mal de negro hoje em dia é levar um processo nas costas. Não tivemos nem um Martin Luther King. Tivemos um idiota chamado Zumbi (leia sobre a escravidão nos quilombos), que na verdade era um bandido, um bandoleiro, um safado. Esse hoje foi alçado à condição de herói nacional.

E ficamos assim: nossa independência foi declarada por um principezinho mulherengo (para que voltar à Portugal, meu Deus, "diga ao povo (feminino) que fico!"), nossa república foi instituída por um generaleco descontente (não foi chamado ao baile da Ilha Fiscal, decerto; se tivesse sido convidado não teríamos república), e até hoje somos uns animais inermes, paquidérmicos, indecentes até. Somos uns covardes.

É por isso que admiro e continuarei admirando até o final da minha vida o homo anglo-saxonicus, a espécie superior que povoa a Terra. Não, por mais que eu me esforce nunca serei totalmente como eles. Há idelevelmente no meu sangue a herança lat(r)ina. Como dizia anteriormente no epíteto desse blog, sou 50% parte da genética e 50% parte do meio...

10 comentários:

PATRICIA M. disse...

Ah, a Igreja Católica tem culpa no processo também, lógico. Classifico como superior a ética protestante. Luteranos, calvinistas, anglicanos, quakes, o que quer que tenha povoado a América do Norte foi infinitamente superior aos católicos, para quem até hoje "o lucro é pecado".

Fernando Sampaio disse...

A brasileirada precisa parar de por a culpa na história, nos portugueses, na igreja e aprender a evoluir com as próprias pernas. A herança é maldita sim mas não é desculpa.
Estamos iguais a esses africanos que recebem trilhões em ajuda todo ano e enfiam tudo no nariz e nas contas na Suíça. Depois põem a culpa no colonialismo.

PATRICIA M. disse...

Fernando, eu concordo totalmente. Mas o que fazer quando se tem um povo bovino? Nao da para chacoalhar todo mundo, dizer "acorda imbecil".

E tambem nao da para descartar a historia assim, de pronto. Como disse, nao estou culpando o colonialismo. Outras nacoes foram colonizadas e se deram bem. Esta na genetica mesmo: somos uma mistura mal feita de pessimas culturas.

E isso vai demorar mais algumas decadas, se nao seculos, para ser consertado.

Zé Costa disse...

Não fosse esse depoimento escrito num blog, juro, facilmente passaria por um documento do século XIX.

Claro que divirjo de sua opinião e apesar de ter me tornado para algumas pessoas da blogosfera uma persona non grata, atrevo-me a tecer algumas considerações sobre o seu post e você, claro, terá o direito de aprová-las ou não.

No livro de Gilberto Freyre que você leu, com certeza a visão do autor não se coaduna com a sua opinião sobre os brasileiros. Aliás, Freyre foi o primeiro intelectaul a enxergar na mestiçagem uma qualidade e não um defeito do nosso povo.

No livro do Sérgio Buarque de Holanda que você não leu, ainda há tempo, não há mais do que 150 páginas para ler - Casa Grande e Senzala é infinitamente mais extenso embora mais gosotoso de se ler, reconheço - nossa herança lusitana não é tratada como a responsável pelo nosso atraso, mas por algumas caracteríticas que nos fazem diferentes dos anglos-saxões, por exemplo. Bom ou ruim é questão de gosto.

Blogildo disse...

Coitados dos portugas. Ao menos os caras têm Camões, se lançaram ao mar, fizeram colônias...
Concordo com o Fernando: Já passou da hora de o brasileiro andar como bípede.

Falando sério, o problema é e foi a elite intelectual. Cara, o Brasil tinha e tem uma elite muito frouxa, vaidosa, arrogante e burra. Neguinho (branquinho) acha que só porque cursou uma universidade bunda mole de esquina é intelectual. Tem gente que não sabe escrever e vem arrotar erudição pra cima de "moi" o tempo todo. Com uma elite dessas, na boa, o país passa da ascenção à decadência sem ter nunca vivido o apogeu. hehehe!

PATRICIA M. disse...

Eu nao sou contra a mesticagem, de forma generica. So disse que fomos uma infeliz mistura de racas, no nosso caso especifico.

Agora, Freyre tb nao prova por A+B que somos uma mistura feliz. Ha varias variaveis no meio, nao eh somente raca, mas religiao, clima, etc. Tudo isso contribuiu com certeza para o nosso destino.

Ha como mudar? Logico que ha, nao sou determinista. Senao estaria are hoje em BH, casada com 4 filhos. Hahahahahaha.

So acho que para vencer esse nosso ranco levaremos ainda muitos anos.

PATRICIA M. disse...

Blogildo, concordo. A nossa elite, desde a epoca dos portugueses, eh digna de pena. "Neguinho" ia estudar Direito em Coimbra e passava o tempo todo bebado. Voltava para tocar a propriedade do pai.

Voltando ao ponto: um pessoalzinho frouxo, sem ambicao, sem cojones. Tanto eh que teve que esperar o principezinho declarar a independencia. No minimo estavam enchendo a cara em algum bar, ou lacando uma prostituta.

Ah, isso brasileiro sabe fazer bem, desde tempo imemoriais...

Fernando Sampaio disse...

Outro dia escrevi sobre minha experiência de morar na Holanda e voltar ao Brasil:
"Outro exemplo é essa mentalidade napolitana tão arraigada na cultura latina em geral. Já viu Nápoles na tv imersa em um mar de lixo por conta de greves e outros problemas públicos? Os napolitanos não estão nem aí. Se a sua famiglia, o seu clã está bem de vida, então o resto que se dane.
São pequenas coisas que hoje percebo mais do que antes. Mesmo assim eu quis voltar e (ainda) não me arrependo."

Well, sou meio portuga e meio italiano, veja só. Mas felizmente não penso como eles. Ou seja, dá pra mudar.

PATRICIA M. disse...

Fernando, eu tambem escrevi sobre a lixeira a ceu aberto que eh Napoles. Para que, menino, houve revolucao nesse blog! Brazucas descendentes de italianos se sentiram mortalmente ofendidos. Sabe como eh, falar mal de brasileiro, mas nao toquem nos italianos!

Eu falo mal do que eu acho que tenho que falar, oras. Do que eu acho que esta errado.

Voce nao eh assim, certamente, eu nao sou assim, certamente, apesar de ambos termos o sangue lat(r)ino.

Mas nao ha o que fazer quando 90% da populacao pensa assim.

Eu nunca coloco as coisas de forma pessoal, eh sempre no coletivo. O brasileiro (no coletivo) esta fadado ainda por muitos e muitos anos ao subdesenvolvimento. Enquanto imperar a lei de Gerson, meu caro, nao ha solucao. E ainda ha gente que se orgulha da nossa dita "criatividade".

PATRICIA M. disse...

Quis dizer: "Falar mal de brasileiro pode..."