sexta-feira, 6 de abril de 2007

Reflexao: Sexta-Feira da Paixao

Como nao consegui escrever nada inspirado, tive que recorrer a autores do passado. Hoje eh um dia de reflexao para mim. Vez ou outra na vida eh bom parar, observar as coisas, e se fazer as perguntas criticas. Na loucura das atribulacoes diarias, eh quase impossivel raciocinar de forma adequada, e a maior parte das respostas ao meio sao reativas, nao conscientes.

Desejo a todos, cristaos e nao cristaos, uma Sexta-Feira da Paixao de muita paz e reflexao, e um Domingo de Pascoa de muita alegria!

1. Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus:
2. tempo para nascer, e tempo para morrer; tempo para plantar, e tempo para arrancar o que foi plantado;
3. tempo para matar, e tempo para sarar; tempo para demolir, e tempo para construir;
4. tempo para chorar, e tempo para rir; tempo para gemer, e tempo para dançar;
5. tempo para atirar pedras, e tempo para ajuntá-las; tempo para dar abraços, e tempo para apartar-se.
6. Tempo para procurar, e tempo para perder; tempo para guardar, e tempo para jogar fora;
7. tempo para rasgar, e tempo para costurar; tempo para calar, e tempo para falar;
8. tempo para amar, e tempo para odiar; tempo para a guerra, e tempo para a paz.
9. Que proveito tira o trabalhador de sua obra?
10. Eu vi o trabalho que Deus impôs aos homens:
11. todas as coisas que Deus fez são boas, a seu tempo. Ele pôs, além disso, no seu coração a duração inteira, sem que ninguém possa compreender a obra divina de um extremo a outro.
12. Assim eu concluí que nada é melhor para o homem do que alegrar-se e procurar o bem-estar durante sua vida;
13. e que comer, beber e gozar do fruto de seu trabalho é um dom de Deus.
14. Reconheci que tudo o que Deus fez subsistirá sempre, sem que se possa ajuntar nada, nem nada suprimir. Deus procede desta maneira para ser temido.
15. Aquilo que é, já existia, e aquilo que há de ser, já existiu; Deus chama de novo o que passou.
16. Debaixo do sol, observei ainda o seguinte: a injustiça ocupa o lugar do direito, e a iniqüidade ocupa o lugar da justiça.
17. Então eu disse comigo mesmo: Deus julgará o justo e o ímpio, porque há tempo para todas as coisas e tempo para toda a obra.
18. Eu disse comigo mesmo a respeito dos homens: Deus quer prová-los e mostrar-lhes que, quanto a eles, são semelhantes aos brutos.
19. Porque o destino dos filhos dos homens e o destino dos brutos é o mesmo: um mesmo fim os espera. A morte de um é a morte do outro. A ambos foi dado o mesmo sopro, e a vantagem do homem sobre o bruto é nula, porque tudo é vaidade.
20. Todos caminham para um mesmo lugar, todos saem do pó e para o pó voltam.
21. Quem sabe se o sopro de vida dos filhos dos homens se eleva para o alto, e o sopro de vida dos brutos desce para a terra?
22. E verifiquei que nada há de melhor para o homem do que alegrar-se com o fruto de seus trabalhos. Esta é a parte que lhe toca. Pois, quem lhe dará a conhecer o que acontecerá com o volver dos anos?

(Eclesiastes, 3 - Biblia Ave Maria)

20 comentários:

gilrang disse...

m.,

i wished people would be christians as you seem to me. the earth would be a better place to live!

happy easter for you too, my child!

Costajr disse...

Você anda um tanto quanto obcecada pelo tempo... que mistérios andam a te espicaçar?

Mas falando em tempo... vai um trechinho do heterônimo Álvaro de Campos, de Fernando Pessoa

APOSTILA


Aproveitar o tempo!
Mas o que é o tempo, que eu o aproveite?
Aproveitar o tempo!
Nenhum dia sem linha...
O trabalho honesto e superior...
O trabalho à Virgílio, à Mílton...
Mas é tão difícil ser honesto ou superior!
É tão pouco provável ser Milton ou ser Virgílio!

Aproveitar o tempo!
Meu coração está cansado como mendigo verdadeiro.
Meu cérebro está pronto como um fardo posto ao canto.
Meu canto (verbalismo!) está tal como está e é triste.
Aproveitar o tempo!
Desde que comecei a escrever passaram cinco minutos.
Aproveitei-os ou não?
Se não sei se os aproveitei, que saberei de outros minutos?!

Aproveitar o tempo!
Ah, deixem-me não aproveitar nada!
Nem tempo, nem ser, nem memórias de tempo ou de ser!...
Deixem-me ser uma folha de árvore, titilada por brisa,
A poeira de uma estrada involuntária e sozinha,
O vinco deixado na estrada pelas rodas enquanto não vêm outras,
O pião do garoto, que vai a parar,
E oscila, no mesmo movimento que o da alma,
E cai, como caem os deuses, no chão do Destino.

Feliz Páscoa!

william disse...

Patrícia,

boas reflexões e boa páscoa!

JÚLIO SILVA CUNHA disse...

Boa Páscoa querida amiga!
J.

PATRICIA M. disse...

Costa, obrigada pela poesia! Alvaro de Campos eh o meu Pessoa favorito!

Cláudio disse...

Boa páscoa para você.

(cheguei através de um comentário seu sobre um comentário meu deixado no FYI).

Blogildo disse...

Para tudo há mesmo um tempo. E agora é tempo de mandar um abraço para uma amiga que a cada dia que passa granjeia mais o meu respeito!

Bom feriadão, Miss M.

André disse...

Muito bonito esse post.

Feliz Páscoa pra vc também.

MANUEL HENRIQUES disse...

OLá Patricia,

Agradeço a sua visita ao

http://obeiraorecalcitrante.blogspot.com/

Um beijo e boa Páscoa

Daniel F. Silva disse...

Patrícia, forte abraço e boa Páscoa.

Cejunior disse...

Patricia, um belo texto. Boa Páscoa para você também. Um beijão!

Anônimo disse...

Oi Patrícia!

Gostei da sua página!!

Patrícia, você sabe quem escreveu esses lindos versos do Eclesiastes? Foi um "cabeça-de-toalha", Patrícia!! Incrível né, essa gente do Oriente Médio já era supimpa desde aqueles tempos!!!

Anônimo disse...

Já ia me esquecendo,

Boa Páscoa pra você e pra todos!!!

PATRICIA M. disse...

Querido Anonimo da 1:32, nao, nao foi um cabeca-de-toalha que escreveu esse texto maravilhoso. Foi um judeu, nao um muculmano. Abracos, e que bom que voce gostou do blog. Volte sempre.

Anônimo disse...

Patrícia,

Um judeu, sim; e mais ainda um hebreu, povo semita muito afim com os árabes. Eram até mais cabeças-de-toalha que os muçulmanos de hoje. Aliás, os valores islãmicos são muito parecidos com os valores dos judeus e mesmo cristãos. São três religiões que no fundo são uma só. Você não quer admitir porque tem preconceito contra árabes. Preconceito que deriva da sua ignorância sobre as três religiões. Com a sua permissão vou indicar um livro que vai te esclarecer muita coisa sobre Islã, Judaísmo e Cristianismo; "Uma História de Deus" da Karem Armstrong. Vale a pena ler.

PATRICIA M. disse...

Terei que chamar meu amigo Blogildo para me ajudar nessa de religiao. Eu nao tenho nada contra a religiao deles, desde que eles nao venham me explodir enquanto trabalho. Eu nao tenho nada contra a religiao deles, desde que eles me aceitem em um taxi carregando bebida alcoolica. Eu nao tenho nada contra a religiao deles, desde que eles nao queiram impor SEUS costumes na MINHA terra. Anonimo querido, leia o texto logo abaixo da Michelle Malkin. Eh com esse texto que eu me identifico. Mas lerei o livro assim que terminar esse MBA maldito.

Blogildo disse...

O judaísmo, cristianismo e islamismo são as três religiões que têm Abraão em comum. Deveria existir uma harmonia. Ou melhor, deveria ser uma religião só.

Hoje em dia estamos numa sinuca. Não creio que os três grandes monoteísmos se entenderão. E a culpa é de uma coisa simples: Mistura de religião com política.

Anônimo disse...

Blogildo,

Concordo em parte com você. Sou contra essa história de misturar religião com política, ou seja, o líder religioso ser o líder político. Mas não podemos esquecer que as três religiões conviveram pacifica e harmoniosamente na Andaluzia árabe. Tudo bem que com uma certa preponderância islãmica, e com momentos de atrito, principalmente quando da subida ao poder de governantes de origem bérbere; mas era algo inconcebível de acontecer nos reinos cristãos medievais. Estes não admitiam nem judaísmo e nem islamismo, eram o diabo para eles.

Na andaluzia tivemos o florescimento de uma cultura riquíssima, com grandes filósofos, médicos, músicos, cientistas e etc, tanto judeus, como muçulmanos. Pergunte a qualquer estudioso judeu qual foi a época de ouro da cultura judaica e ele lhe responderá que foi na época da Andaluzia árabe. Havia uma troca entre essas culturas. Apenas para ilustrar, numa certa época, que me foge a memória, havia um grande médico judeu, chamado Moisés Maimônides, que foi o médico particular do sultão do egito, se não me engano. Maimônides certamente bebeu em fontes árabes da Andaluzia, onde nasceu e viveu.

Blogildo disse...

era algo inconcebível de acontecer nos reinos cristãos medievais. Estes não admitiam nem judaísmo e nem islamismo, eram o diabo para eles.

Hoje não é assim. E daí? Qual é a sua proposta? Conversão em massa de cristão ao Islã? É isso?

Blogildo disse...

Pergunte a qualquer estudioso judeu qual foi a época de ouro da cultura judaica e ele lhe responderá que foi na época da Andaluzia árabe.

Perguntei. Tem um judeu amigo meu que insiste que a época de ouro da cultura judaica foi durante o reinado de Salomão.