segunda-feira, 23 de junho de 2008

Quase...

O voo foi tranquilo, decolamos no horario planejado no maior e mais movimentado aeroporto do mundo - imagina se fosse Guarulhos, heim - e chegamos 20 minutos antes do horario previsto em NYC devido aos bons ventos.

Vou para a fila de imigracao apresentar os documentos. Engracado, nao gostei da cara do sujeito. Ele olha, olha, olha o meu passaporte. Pergunta uma coisa ao colega do lado. Eu faco cara de paisagem, mascando chicletes.

Ai ele me diz: "o seu passaporte deveria ter pelo menos 6 meses de validade para voce entrar nos Estados Unidos. Voce nao pode entrar". Verdade seja dita, eu sabia desse fato antes de embarcar, sabia que eles poderiam encrencar com isso. Mas fui em frente. E tinha de jogar o jogo deles.

E o jogo eh uma guerra de nervos, e perde quem se descontrolar antes. Eu so arregalo os olhos com jeito de "ohhh nao sabia disso!!!". Nao falo mais nada, nao ha nenhuma outra reacao da minha parte. Continuo com cara de paisagem, mascando chicletes. Respondo uma ou outra pergunta dele, como por exemplo:

- O que voce fez em Columbia?
- MBA.
- Em que?
- Business.

Assim mesmo, monossilabico. Respondendo apenas o estritamente necessario.

Ele joga a parte dele, demora-se olhando mais coisas. Pega um manualzinho e le algo. Ai, para minha satisfacao, ele joga a toalha:

- Coloca o indicador esquerdo no painel.

Ahhh, vai me deixar entrar, pensei. Senao nao estaria pedindo as digitais.

Como conselho final, ele me manda renovar o passaporte na embaixada brasileira em Londres o mais rapido possivel. Have a nice trip, despede-se de mim.

Por muito, muito pouco nao haveria mais casamento em Manhattan. Mas a minha imprudencia rendeu pelo menos uma boa estoria para se contar aos amigos e netinhos.

Ainda tenho a impressao de que o que me salvou foi ter feito o MBA em Columbia e ter vindo de Londres - a minha permissao de trabalho na Inglaterra me confere um grau de respeitabilidade maior do que se eu trabalhasse... no Brasil, por exemplo.

Eu disse "impressao". Pode ser apenas que ele tenha me achado bonitinha...

4 comentários:

Anathalia disse...

Entao voce tambem esta curtindo esse tempo lindo que esta fazendo por aqui! rs Se tiver uma brechinha na agenda me mande um email pra gente tentar se encontrar em NY. Um abraco!

João Batista disse...

O trouxa aqui viajou com uma camiseta de Eugen Böhm-Bawerk. Foi chegar no, sei lá, “quiosque” que o guardinha já perguntou: “Quem é esse cara?”. Putz. Estou em NY. Há liberais por aqui. Se o cara for um liberal, para dizer o mínimo, não vai gostar de ouvir que é crítico da teoria da mais-valia de Marx. “É um economista austríaco...” Ops! Deixei vazar o austríaco! Minha sorte é que apenas um em cem liberais conhece os economistas austríacos, mais provável que, ao invés de uma escola, o guarda só pense em nacionalidade. Austríaco também tem mais respeitabilidade do que brasileiro. Daí que “economista austríaco...” tenha bastado - mesmo com os três pontinhos suspeitos - e a conversa prosseguido para outros assuntos.

PATRICIA M. disse...

Anathalia, esta fazendo muito calor aqui, e esta muito abafado. Ja sinto saudades de Londres, o clima de la eh bem mais fresco e gostoso.

Para os marujos de primeira viagem, vale a pena vir a NYC na primavera e/ou no outono. No verao eh muito quente e abafado, so carioca aguenta.

Blogildo disse...

Acho que o sujeito te achou bonitinha. Mascando chiclete, então? Suspiros.