terça-feira, 8 de maio de 2007

Quando Todos Nos Pagamos

Essa moda de ser ecologicamente correto eh muito engracada, ate o ponto em que mete a mao no bolso do cidadao. Ai deixa de ser engracada e passa a ser um ataque `a liberdade de escolha. Para ilustrar, vejam o que acontece na Alemanha. Atencao tapuias e tupinambas, que esse mesmo problema em breve batera `as suas portas.

Da Reuters - "A indústria de biodiesel da Alemanha está trabalhando com cerca de 50% da sua capacidade, 10% a menos que em abril, devido à incidência de um imposto que impactou as vendas do produto.

"Cerca de 2 milhões de caminhões da Alemanha estão sendo abastecidos atualmente com combustível mais barato quando viajam para fora do país."

A queda nas vendas este ano, em grande parte devido aos impostos do governo alemão sobre combustíveis renováveis, faz com que produtores estejam considerando encerrar as atividades ou vender as refinarias para estrangeiros, até porque o imposto deve subir para 14 centavos por litro em 2008.

Enquanto a União Européia quer elevar o uso de biocombustíveis como medida para reduzir o aquecimento global, a Alemanha, no fim de 2006, começou a taxar o produto, com o governo argumentando que não poderia abrir mão da perda de receita anteriormente obtida com a venda dos combustíveis fósseis.

Com isso, o biodiesel perdeu sua vantagem de preço num momento de cotações relativamente baixas do petróleo, disse Schrumhe. A queda na produção, segundo ele, faz com que a Alemanha perca a chance de reduzir as emissões de carbono em 5 milhões de toneladas/ano.

O biodiesel, que na Alemanha é feito principalmente com óleo de colza, precisa ser cerca de 10 centavos de euro mais barato que o combustível fóssil, já que é mais rapidamente consumido nos veículos e faz com que os carros necessitem de mais revisões.

Com o imposto, o biodiesel hoje custa apenas 3 centavos menos que o produto convencional."

Pois, entao eh valido que o governo abra mao do recolhimento de impostos sobre os produtores de biodiesel somente porque o produto eh ecologicamente correto? Ja mediram a eficiencia disso? A reportagem mesmo afirma que o consumo desse combustivel eh mais rapido e que os carros necessitam de mais revisoes. Ja mediram o quanto isso pode ser impactante no meio ambiente? Ora, um motor de carro que dure menos deve ser altamente prejudicial ao meio ambiente, suponho eu. Ou as carcacas de automoveis nao sao um problema ecologico?

Quanto ao Brasil, eh bom lembrar que ate hoje os consumidores de gasolina financiam o alcool e o diesel. O governo nunca abre mao de suas receitas com impostos, e se nao for taxar o biodiesel, carregara a mao em outro setor. E voce, carissimo cidadao, acaba pagando pela farra ecologica politicamente correta...

11 comentários:

Blogildo disse...

Você me fez lembrar um artigo da Ann Coulter sobre o mesmo assunto. Por sinal, ela saiu com uma tirada ótima: 'A energia eólica não gera energia suficiente nem para a manuntenção dos moinhos'. Ou coisa assim.

Não adianta, no fim das contas a gente é que vai pagar a farra dos bacanas!

Costajr disse...

Hoje estou indignado! Queria gritar contra estupidez de uma gente que se quer progressista, que pensa no bem da humanidade e que defende mitos sem ter a menor idéia de quem foram de verdade e quais suas idéias. Desculpa o desabafo, mas hoje passei por uma...Vou arrumar briga feia, mas terei que desancar um desses mitos do Brasil, conto com você nessa ajuda.

um abraço!

D. Hume disse...

Tomara que isso não aconteça aqui, mas concordo com você; nós é que vamos "pagar o pato". Quanto ao problema ecológico o que mais me preocupa é o Brasil se tornar um gigantesco canavial e deixar de produzir alimentos.

Costajr disse...

vc acertou. Não esperei que virasse um post... agora acho que me lasquei mesmo (hehehe)

Saúvo Carrapatoso disse...

Calma, gente, sempre pode piorar. Vai que o MST resolva destruir todos os canaviais, argumentando (se é que os sem-terra sabem fazer isso) que as plantações devam servir somente para alimentação. Se dependesse dessa gentalha (salve, Sarkoza!), estaríamos todos andando de charrete, hehe.

william disse...

É, Patrícia, o cálculo é muito mais complicado do que a gente, prima facie, imagina. Diminuição da vida útil do motor, maior volume de combustível consumido... e a gente não faz idéia de qual foi o custo ambiental da produção do combustível... Não há panacéias, o jeito é esperar que cada agente, buscando ter mais eficiência, produza o melhor resultado para todos nós. Não sou crente do aquecimento global, mas caso queiram que seja reduzida a emissão de poluentes, os créditos de emissão me parecem uma boa solução.

D. Hume disse...

William,

Não se trata de ser crente ou não, do aquecimento global. O aquecimento está aí. Existe sim!! Está cientificamente constatado. Não adianta fazer de conta que não existe, que é conversa mole de ecologista e coisa e tal. Não caia nessa!!

PS Saiu um ótimo artigo na folha de domingo passado (06/05) sobre as consequências do aquecimeto global no sudoeste americano. vale a pena ler.

PATRICIA M. disse...

D. Hume, se engana, o aquecimento global ja eh uma igreja, uma seita catastrofista ja formada, com seu pastor maximo e seus seguidores cegos...

Ricardo Safra disse...

Cara Patrícia

Vamos lá: não é que o aquecimento global seja uma religião catastrofista. O planeta tem os seus próprios ciclos de aquecimento e resfriamento. São processos endógenos e exógenos que afetam a natureza como conseqüência sintrópica. Ou seja, o planeta tem sua própria dinâmica e graças à interdependência todo o sistema está conectado.

Fato é que o planeta passa por uma fase de mudança climática acarretada por alguns desses processos endógenos e exógenos. O mais debatido é a ODP (Oscilação Decadal do Pacífico) quando o maior oceano do planeta passa por um processo de aquecimento que espalha estes efeitos por toda a Terra. Acontece que o homem, ao poluir a atmosfera, ao despejar dejetos químicos nos rios e oceanos, em síntese, ao descuidar do planeta ele está contribuindo para a aceleração destes processos.

O que se busca não é o retorno à Idade Média, mas, sim, uma outra mentalidade na relação com a natureza. Reciclar, pesquisar tecnologias menos agressivas ao meio ambiente, utilizar eficientemente outras fontes de energia, enfim, o homem precisa entender que a natureza não é um supermercado de recursos. E que a tecnologia não é panacéia para a humanidade.

Um abraço,
Ricardo Safra, estudante de Geografia e Arqueologia

Frodo Balseiro disse...

Patrícia
Enquanto o Alcool é economicamente viável pelo seu modelo de negócio, o Biodiesel não passa de mais uma marquetagem do governo brasileiro, e dos eco-chatos. Antes de cinco anos pelo menos, e se não for mudado o modelo de negócio, não sera economicamente viável.
Frodo

Fábio Max Marschner Mayer disse...

Patricia,

Lá na Europa, o povão fica escandalizado quando o governo impõe novos impostos, e isso em Estados que, mal ou bem, funcionam, e prestam serviços aos cidadãos.

Aqui no Brasil, ninguém diz nada, mesmo sabendo que o dinheiro vai para o ralo...

A questão do biocombustível e dos impostos sobre ele, é afeita à quantidade consumida. Quanto maior for, maior será a tributação, porque os governos não abrirão mão das receitas perdidas do petróleo, que são grandes.

E isso porque o Estado tende apenas a crescer. Aliás, a tendência natural é tributação cada vez maior sobre tudo, porque numa sociedade em envelhecimento, cedo ou tarde o financiamento previdenciário deixará de ter sua base na contribuição dos beneficiários.

Achar que, por ecologia, vai se comprar combustível sem imposto, é bobagem, muito embora a mudança da matriz energética seja imprescindível.