sexta-feira, 1 de junho de 2007

Ignorâncias Explícitas

A BBC Brasil realizou um projeto chamado Raízes Afro-Brasileiras. Como parte do projeto, foram feitos exames de DNA para identificacao dos genes de famosos mulatos brasileiros (recuso-me terminantemente a utilizar o termo "negro" para definir os mulatos), tais como Seu Jorge, Milton Nascimento, Daiane dos Santos, Djavan, entre outros.

O projeto da BBC não deve ser por acaso, como quase nada nessa vida é por acaso. Discute-se muito atualmente no Brasil a questão "racial". Ora, as pessoas de bom senso sabem que houve uma miscigenação enorme no país desde a época colonial e que falar de raça é bobagem. Falar de cotas raciais então indica o cúmulo do absurdo. Mas os governantes petistas insistem em dividir o país - "dividir para conquistar" é um ditado antigo - entre brancos e negros, ricos e pobres, e por aí vai. Certamente no lugar de discutirmos cotas raciais deveríamos discutir cotas sociais - há pobres de todas as cores no Brasil.

Voltando ao tema da BBC, gostaria de expor aqui os absurdos ditos pelo Seu Jorge. Não apenas refletem o precário conhecimento que a maioria dos brasileiros têm de sua própria história, mas também o preconceito embutido. Vale lembrar que o tal Seu Jorge - eu confesso, nunca ouvi nenhuma música desse sujeito, já que não gosto do gênero Música Popular Brasileira - é muito aplaudido aqui no exterior. Tomem agora o besteirol de Seu Jorge, com comentários meus no meio:

"O músico carioca Seu Jorge tem 12,9% de genes europeus e 85,1% de genes africanos, indicam exames de DNA feitos a pedido da BBC Brasil como parte do projeto Raízes Afro-brasileiras."Tinha muita esperança de ser 100% negro. Se fosse, eu ia pedir uma indenização muito pesada nesse país, mas sou filho dos culpados também", disse o músico em entrevista na sua casa, em São Paulo, à BBC Brasil."

-> Ele quer pedir indenização? Indenização de quem? De algum tataraneto de português 100% branco que escravizou os tataravós dele? Não me faça rir, Seu Jorge, parece que está desistindo da carreira de músico para virar piadista!

"Apesar de não esconder uma certa decepção com seu recém-descoberto "lado europeu", Seu Jorge disse ter ficado feliz com o que chamou de resistência de antepassados africanos. "Miscigenação era barbárie. Não tinha isso de história de amor, era barbárie. Fico feliz em saber que parte da minha galera resistiu e compõe 85% dos meus genes", disse o músico.

Segundo o músico, era difícil ser negro na época em que milhões de africanos eram escravizados e continua a ser assim hoje."

-> Essa afirmação só denota que o sujeito pouco ou nada estudou. Esquece ele que os próprios africanos escravizaram outros para vendê-los aos traficantes de escravos - que aliás não eram apenas portugueses? Não sabia o tão aclamado músico que uma das primeiras coisas que negros recém alforriados faziam era comprar escravos negros para eles próprios? Ah Seu Jorge, eu não sabia que ainda existem africanos escravizados no Brasil, como você diz em sua última frase. Hoje, escravidão é crime; se você conhece algum negro escravo, deveria delatar o fato às autoridades, de forma que o escravizador vá para a cadeia.

"Tem que ser negro para saber o que é você entrar em um ônibus, como uma pessoal normal, e ver os passageiros saltando antes do ponto, escondendo relógio, ligando para a viatura. É uma agressão muito forte. É violento", contou.

-> Outra balela do Seu Jorge. Eu já andei de ônibus e nunca saltei antes do ponto porque um mulato entrou no veículo. Com quase 50% da população totalmente miscigenada, não acredito que as pessoas saltem do ônibus toda vez que um mulato entre lá dentro.

Para a informação de vocês, apenas 5% da população brasileira é composta de negros. Portanto, falar em negritude, mama África e balelas do gênero deve ser apenas para dar uma de coitadinho e fazer propaganda inútil, como esse coitado de músico aí.

8 comentários:

Frodo Balseiro disse...

Patrícia
É isso aí! Mesmos argumentos vem sendo utilizados à exaustão pelo Prof. Demétrio Magnoli, veja você da USP, que diz que será o caos se essas propostas de leias que visam dividir a população brasileira entre pretos e brancos, uma tremenda imbecilidade, prosperarem.
Agora, verdade seja dita, uma boa parcela dos negros odeia sim os brancos. No Brasil se copiou a parte ruim da relação racial norte americana.
Bom, eu como descendo de carcamanos da máfia italiana, não tenho nada a ver com isso. De mim não terão indenização nenhuma!
Abs
Frodo

william disse...

é músico ou humorista? já estou imaginando a cena: um mulato entra no ônibus e aquele monte de passageiros que se amontoam uns em cima dos outros, vindos de um dia cansativo de trabalho, entram em pânico e pulam pelas janelas! hilário!

Fábio Max Marschner Mayer disse...

Só passei aqui para desejar um "bom fim de semana"... estou numa semana ocupada, não tenho blogado muito...

Abraço!

lusitânea disse...

Essa veia africana do sr Jorge pode ser hoje em dia remediada.Basta ele retornar ao seu continente...
Estes paspalhos não situam nunca a situação no contexto histórico, nem contabilizam o que de bom conquistaram...
Hoje as centenas de africanos que morrem no mar para figir para a europa, para ir ter com os seus antigos senhores quer dizer o quê?
Hoje não existe escravatura em áfrica?É tudo governos que garentem o estado de direito?
Essa cultura de chantagem da africanidade para com os europeus já não pega.Houve escravos sim senhor.Quase todos os europeus também a seu tempo foram escravos de outros...
Nós cá em Portugal não queremos mais africanos por cá.Não os queremos contrariados e achamos que eles ficam mais felizes na sua terra...
Vou copiar o teu post para o meu blog
PS
Acho que muitos devem agradecer terem sido levados para o Brasil , mesmo que escravos pois hoje estão muito melhor do que estariam na sua terra de origem...
Isso depois das independências africanas em que o continente recuou quase até à idade da pedra lascada...

Cláudio disse...

Precisa sacar a pinta do tal "Seu Jorge". Até eu, que sou mulato, desceria na hora do ônibus se ele subisse :-)

Voltando de Caracas, via Miami, ouvi um brasileiro todo orgulhoso dizendo que Seu Jorge era famoso onde ele viva (Kansas, acho).

Como diz o Reinaldo Azevedo, o pessoal do primeiro mundo tem uma certa tara pelo "povo da floresta". Ser "antenado" ou "aberto para o mundo" para muitos deles é dizer que adora um sambinha...

Daniel F. Silva disse...

O Frodo citou Magnoli. E ele disse o seguinte a respeito do assunto: os brasileiros discriminam muito mais as pessoas por causa de sua condição social que pela cor de sua pele. E concordo com ele.

Os movimentos negros brasileiros parecem ter copiado descaradamente os movimentos radicais como os de Malcolm X e a Nação do Islã, no que tange aos equívocos que são os erros de foco na luta contra o preconceito.

Blogildo disse...

Seu Jorge era uma quase-mendigo aqui no Rio. Vivia mal vestido e aquela pinta de mal-encarado não ajuda muito. Concordo com o Cláudio: Até eu que sou pardo desceria do ônibus se eu visse o Seu Jorge. Fala sério!

Agora, convenhamos, um cara que canta "É isso aí", copiando o Damien Rice não pode ser levado à sério!

Sonia disse...

Nota 1000 pra vc fofa!
Este idiota esquerdista, só pensa em indenização, seguem o Mestre, que passou 24 hrs na delegacia do DOPS e ganha 5 milhas todo mes!!!!
Beijinhos mil
Sonia