segunda-feira, 22 de junho de 2009

Os Diplomas E As Bobagens

Caiu por terra a necessidade de apresentar diploma de jornalista para exercer a função em jornais e revistas do país. Eu nunca soube se isso realmente existia, e conto um caso para ilustrar que a tal lei já devia estar caduca há muito tempo.

Logo depois de formada em Engenharia Química, apliquei para os mais variados empregos. Desde engenheira em madeireira no Amazonas, até mesmo a jornalista na Gazeta Mercantil em São Paulo. Eu morava em Porto Alegre na época e apliquei para ser trainee da Gazeta. Fiz inúmeros testes - de inglês, redação - passei em todos. Fiz a dinâmica de grupo e também passei. Só para vocês terem uma idéia, eu pegava o bumba de Poa até Sampa, 18 horas de viagem, dava um tapa de maquiagem na rodoviária Tietê e ia lá para os cafundós do Judas - o horroroso bairro de Santo Amaro - fazer entrevista como se estivesse vindo de um noite bem dormida nos Jardins. Lembro que no anúncio de convocação estava escrito que eles só aceitavam engenheiros e economistas - nada de jornalistas (sendo leve na provocação, creio que jornalista não tem aula de matemática na faculdade, então seria uma coisa muito difícil entender sobre o mercado financeiro, a bolsa, macroeconomia, etc).

Eu fui aceita para ser trainee da Gazeta mas recusei a oferta. Preferi ir trabalhar na Brahma em Lages/SC. O salário da Brahma era maior (?!?) e em Lages eu gastaria 1/10 do que gastaria em São Paulo para me manter. Para vocês verem como jornalismo é uma profissão nobre e bem paga, que realmente draga os melhores cérebros nas escolas do país...

Quanto às bobagens que são ditas sobre a eliminação total dos diplomas, já li várias por aí. Um desses revoltadinhos de plantão sugeria que o exame da OAB deveria ser extinto. Talvez devesse mesmo. Os grandes escritórios de advocacia não contratam aquele pessoal que se forma em faculdade cuspe-e-giz ali da esquina. Mas penso que até nos Estados Unidos há os exames para as Bar Associations. Pensando bem, é apenas um exame que testa os conhecimentos mínimos que o formando deve ter para exercer a profissão. Se o sujeito não consegue passar, é porque é muito burro mesmo, mas burro com força.

Quer saber, acho que o Conselho de Medicina deveria fazer os mesmos testes em médicos recém formados. E talvez o CREA devesse testar os engenheiros. Não deveria haver Provão realizado pelo governo, mas sim exames administrados pelas "guildas", como outra revoltada disse. Se há necessidade de conhecimento técnico, como no caso da medicina e da engenharia, a sociedade não deveria deixar margem para o azar...

P.S.: para dar aula da 1a a 4a série em escola privada de São Paulo, é necessário o diploma de pedagogia, vocês acreditam? Eu morro de rir... Ah, e quando acabam com os vermes mais vermes do país, os malditos contadores? Essa sim, é uma guilda poderosa...

Um comentário:

Fábio Mayer disse...

Exame de Ordem cobra apenas o óbvio ululante dos candidatos. Quem não passa, é porque não ia para a aula durante a faculdade.

As pessoas não entendem que são justificativas diferentes. São diferentes interesses da nação que são discutidos.Ora a LIberdade de expressão, ora, a mehoria do processo judicial... imagine se qualquer pessoa pudesse demandar em juízo, o que aconteceria?