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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Buenisima!

Depois de Nova Iorque - sempre maravilhosa, isso sim eh cidade maravilhosa - ca estou em Santiago do Chile. Estou verdadeiramente impressionada pela cidade. Parece uma mistura de Curitiba, Porto Alegre e Belo Horizonte. Assim como Belo Horizonte, Santiago eh cercada por montanhas - apesar de nao ser qualquer montanha - a Cordilheira dos Andes eh gigantesca e em alguns pontos consigo ver picos nevados mesmo nao estando ainda no inverno. 'A diferenca de Belo Horizonte, Santiago eh uma cidade relativamente plana porque esta localizada no vale. Em relacao a Curitiba e Porto Alegre, a similaridade se da devido 'a populacao, que eh mais europeia, e tambem ao look geral da cidade: avenidas largas, pracas e parques por todos os cantos, predios sem grades e nada de violencia (nao sei mais se Curitiba e Porto Alegre ainda sao pacatas cidades, mas enfim, Santiago eh apesar de ter o triplo da populacao). Poderia morar aqui tranquilamente. Ha varias cidades que visito e das quais digo a mesma coisa. Poderia morar em Montreal, em San Diego, em San Francisco, em Austin, em Paris, em Amsterdam, em Roma, em Veneza, em Bruges e em Bruxelas. Essas sao as favoritas de todos os tempos e Santiago se junta a elas agora.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Eu Sei Como Eh Isso!

Achei otima a noticia. Ha que se ter criatividade nessa vida. Eu mesma ja fiz isso varias e varias vezes. E nao foi por falta de dinheiro. Foi por... por... sei la. Foi por amor a aventura.

A primeira vez foi quando morava em Joinville. A cidade esta localizada no vale do rio, e faz um calor dos diabos no verao, nao venta e o tempo eh umido. Eu nao queria comprar ventilador, morava com uma senhora na epoca, entao o jeito era ir para o shopping center nos finais de semana do verao me refrescar um pouco.

Mas a melhor de todas foi em Nova Iorque. Chegamos no horrivel verao de 2005, em agosto, o pior mes. Pensei, o verao esta terminando, nao vou comprar ar condicionado. Conseguimos suportar o verao. Mas ai veio o verao de 2006, um dos piores dos ultimos anos, pior mesmo que o deste ano. Pensei, se nao comprei ar condicionado no ano passado, nao vai ser esse ano que vou comprar, ja que vou sair desse ape em breve (era o apartamento da universidade e so podia ficar la ate a formatura em maio de 2007). A minha melhor invencao ate hoje chama-se "air conditionator Tabajara", em homenagem `as invencoes sempre criativas do Casseta & Planeta. Funcionava assim: colocava 2 garrafinhas de vidro de 300 ml cheias de agua na geladeira, as vezes ate deixava por alguns minutos no congelador. Na hora de dormir me abracava `as garrafinhas e conseguia pegar no sono.

So que teve uma noite no meio de agosto que a invencao nao funcionou. Eu tinha que trabalhar cedo no dia seguinte e nao conseguia pegar no sono por causa do calor. O nosso termometro marcava ridiculos 37 graus as 10 horas da noite (fora a umidade horrenda de Nova Iorque). O Barba ja estava roncando na cama e eu la, pensando e pensando em como driblar o calor. Todas as janelas da casa estavam abertas mas nao entrava nem um arzinho, nada. Pensei que podia encher a banheira de agua gelada e dormir la, mas cortei logo a ideia porque e se morresse afogada? Eu costumo ter sono bem pesado... Dai tive a brilhante ideia de encharcar a toalha de banho e cobrir-me com ela, como se fosse mortalha. Funcionou... No dia seguinte a cama estava toda umida ainda e minha mae me xingou horrores porque disse que eu podia ter pego pneumonia com essas ideias idiotas segundo ela. Mas olha, funcionou que foi uma maravilha.

Aqui em Londres usei outra tecnica dia desses em junho quando fez uma semana de calor extraordinario. Calor extraordinario aqui eh 32 graus, mas como eu ja estou em Londres ha 3 anos isso para mim eh muito. Muito mesmo, principalmente se levarem em consideracao que eu ja sofria com calor anteriormente, meu organismo apesar de nascido no Brasil nunca curtiu muito uma sauna (e em Belo Horizonte nas montanhas nunca fez mesmo tanto calor). Entao, era domingo, nao havia nada para fazer a nao ser ir para a missa. Fui. A igreja estava geladinha como todas as igrejas que se prezam. Passei mais um tempinho la depois da missa, aproveitando para colocar uns assuntos em dia com o Todo Poderoso. Bem umas 2 horas creio. Depois pensei, e agora? E agora Jose? Dai fui ao cinema, claro. Igual os russos.

So voltei para casa de noitinha. Ai as coisas ja estavam melhores.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Copas do Mundo - Estorias

A primeira copa de que me lembro foi 1982 - Espanha. Tinha 8 anos e colecionava as figurinhas do Naranjito, o mascote da copa.

Depois foi 1986, Mexico. Nao lembro do mascote dessa vez. Mas assisti a todos os jogos na casa da minha melhor amiga do colegio chamada Isabela. Vestidas de verde-e-amarelo, tinhamos ate lacos de fita no cabelo da cor da selecao. Ao final dos jogos saiamos para colocar traques (os quais chamavamos bombinhas) no escapamento de carros estacionados na rua. Achavamos aquilo o maximo. E Belo Horizonte ainda nao era perigosa para criancas de 12 anos sairem sozinhas...

Depois veio o maior desastre de todos os tempos: 1990, derrotados nas oitavas de final, Lazaroni desgracado. Nao liguei muito nao porque tinha 16 e estava morando em Eureka/California e la eles ainda nao ligavam a minima para futebol. Mal e mal consegui assistir `as partidas.

Entao veio 1994, a melhor copa na minha (ainda) curta existencia. Nao apenas porque fomos campeoes depois de um longo jejum (1970 ainda nem era nascida), mas porque estava com 20 anos na universidade em Belo Horizonte. Que terror! Assistiamos a cada partida do Brasil na casa de um, a primeira contra a Russia foi la em casa, tinha pipoca levada pela minha mae - apenas levada, eh obvio que ela nao ficou assistindo com a galera - e muita cerveja. Fomos comemorar na Afonso Pena, dessa vez sem traques mas terrivelmente bebados e muito alegres. A cada partida uma emocao: ainda me lembro enchendo a cara de vinho verde na casa do filho do portuga da Cidade Jardim, que fazia engenharia eletrica... E depois me lembro quase levando o carro para a outra pista na frente dos guardas e minha amiga Angela que nao bebia - nem dirigia - me tocando levemente o braco e pedindo para eu jogar um pouco mais para a direita... Se ela tivesse gritado juro que tinha atravessado a pista! E por ultimo eu sentada na janela do carro de alguem, gritando muito, felicidade pouca eh bobagem.

1998? Ja estava trabalhando! Na Brahma de Lages, como engenheira quimica na fabricacao de cerveja. Conseguiamos sair para ver os jogos que passavam mais a tarde, mas os bares de Lages nao eram a mesma coisa e eu so tinha o pessoal da Brahma como amigo de torcida. E odeio a equipe da Franca desde entao.

2002? Pior ainda. Uma copa de madrugada? Desculpa, mas eu preciso dormir para ir trabalhar no dia seguinte, po meu, eu moro em Sao Paulo, e tudo aqui eh tao esquisito. Comemorar na Paulista? No meio dos favelados do Corinthians? Pirou ne... Ganhamos foi?

2006 foi engracado de novo, ja estava em Nova Iorque fazendo o estagio entre o primeiro e o segundo ano do MBA no banco em que trabalho. De novo os americanos nao estavam nem ai para os jogos, mas: 1) eu estava fazendo rotacao na mesa da America Latina iuuupiii e 2) tinhamos tv no andar. Ou seja, assistimos a todos os jogos em que Brasil e Argentina jogaram. Aconteceu uma coisa engracadissima: meu chefe era argentino, quase todo mundo era argentino, e eu tinha que disfarcar ne, porque eu dependia dos caras gostarem de mim para conseguir a oferta de trabalho no final do verao. Quando a Argentina foi eliminada, o meu chefe estava na Alemanha - nao sei se assistiu ao jogo no estadio, mas sei que ele ligou para a mesa. E era eu, como estagiaria, que atendia todas as ligacoes - sem saber que era ele:

- Nome do banco.
- Eu gostaria de falar com XXX.
- Ele nao esta, quer deixar recado?
- Patricia? Voce deve estar contente ne?
- Eu? Por que? Eu estou bem, sim... (quem diabos esta falando...?!?!?!)
- Ah deve estar contente porque a Argentina foi eliminada.
- Federico? (Ughhh!) Ohhhhh nao, que isso, nao, que isso, nao, nao estou contente nao... (acreditou ele na mentira deslavada?!?)

Sei que quando a Argentina foi eliminada comemorei disfarcadamente embaixo da mesa de trabalho de um outro brasileiro, tive de sufocar o grito mas deu para desabafar. Ninguem viu.

2010? Em Londres! Com tv na sala. Rodeada de pessoas que gostam de futebol. Ver o Brasil eliminado rodeada de holandeses. Fazer o que, ha que manter a esportiva ne. Amanha no pub alemao, a desforra. Que maravilha sera ver uma final Alemanha x Holanda heim...

sábado, 31 de outubro de 2009

domingo, 18 de outubro de 2009

Aviso Aos Navegantes

Estou entrando na minha segunda semana de ferias aqui na Tailandia... Serio, isso aqui eh bom demais! Resort 5 estrelas na regiao onde o Di Caprio gravou A Praia (estado de Krabi), deixa qualquer, mas qualquer praia ou empreendimento turistico do Brasil no chinelo, literalmente.

Ta bom, ta bom, tem umas praias no Brasil que sao animais tambem, mas dai nao tem infra nenhuma. Aqui eh animal e tem infra especializada para atender aos gostos exigentes de turistas europeus e americanos. Enquanto o Brasil nao colocar isso na cabeca, enquanto continuar a atender aos gostinhos mixos de brasileiros e argentinos, o turismo ai na terra nao decola. Mas nao decola MESMO. Impossivel competir com a Tailandia!

Enquanto isso, no Rio de Janeiro... Eu ja estou dando risada por aqui. Como eh que eh, Olimpiadas? Hilaria essa noticia! Rio, to fora!!!

P.S.: estou pensando seriamente em vir de vez para a Asia... Eh muito muito legal essa parte do mundo!

sábado, 3 de janeiro de 2009

Em Porto - I

Engraçado como os habitantes do Porto gostam de calçadas portuguesas! Preto no branco a maioria, mas algumas branco no preto, por aqui e por ali elas vao se desenhando, subindo e descendo as ladeiras...

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Em Barcelona - II

Depois da interessante viagem de onibus com o motorista catalao chamado Francisco, deixamos as malas no hotel e pegamos o tram ate uma estacao de metro e dai fomos de metro ate a Catedral Metropolitana assistir `a Missa do Galo.

Nao sem antes pegar o tram para o lado errado, se ha uma coisa odiosa na vida eh tomar o trem errado. Ah sim, e se havia um tram por que pegamos o onibus entao? Porque a tecnologia ainda nao avancou o suficiente para colocar a estacao de tram no Google Maps (!!!), entao nao sabiamos que havia uma estacao de tram perto do hotel. De qualquer forma, como disse, o Francisco foi nos mostrando tudo durante o trajeto, entao foi ate mais agradavel.

Eu sempre quis assistir a uma Missa do Galo. So por ser a meia noite ja me animava, mas la em casa o pessoal nunca ia, muito tarde e tal, iamos sempre `a missa mais cedo e depois `a ceia de Natal na casa da minha avo. Ano passado em Paris cheguei a entrar na Notre Dame no horario de uma missa de Natal, mas ainda nao era a do Galo. Esse ano em Barcelona finalmente consegui.

Chegamos as 11 horas e um servico anterior logo comecou - eram salmos, a maioria cantada. Tudo tudo em catalao, e eu consegui entender algo porque estava lendo no papelzinho de acompanhamento. A meia noite comecou a missa e ai como nao havia papel mais eu ja nao entendi mais nada, mas claro sei de todos os rituais e fui seguindo. O sermao foi a unica peca falada em castelhano.

A Igreja eh muito bonita, mas preferi a Santa Maria del Mar, essa sim, gotica, maravilhosa. De uma sobriedade atroz. Descobri que prefiro o gotico - atencao, gotico, nao neo gotico - do que o barroco, antes meu favorito. Enquanto o barroco te distrai com todos aqueles ornamentos, aquela pujanca, os brilhos, o ouro, as imagens, as cores fortes, caras de sofrimento, de extase, o gotico, pela falta absoluta de tudo isso te leva mais a pensar no Divino. E eh assim que deveria ser. Pedras e vitrais coloridos, de que mais se necessita?

Uma coisa que me irrita profundamente ao visitar ass igrejas europeias eh ver a multidao de japoneses tirando fotos. Meu, que falta de respeito! Ha cartazes pedindo que isso nao seja feito durante as missas, mas eles nao querem nem saber. Pensei que deveria se exigir uma carteirinha de catolico para entrar no templo no horario de missas. Na Notre Dame no ano passado foi ainda pior. Hordes e hordes de turistas circulando pela igreja no horario da missa, como eh que um cristao consegue se concentrar assim? Na Sao Marcos em Veneza alguns idiotas tiravam fotos mesmo com um gigantesco aviso pedindo que nao se fizesse isso - nao eram japas esses.

Saimos da igreja para alegria do Barba Ruiva que ja nao aguentava mais, e eu por mim teria ido direto para casa, mas ele estava com fome. Fomos tentar achar algo para comer na Noite de Natal, em La Rambla. Deu medo. So havia tipos esquisitos circulando, gente com cara de bandido. Logico, as pessoas de bem estavam em suas casas comemorando o Natal, e so mesmo tipos esquisitos estavam nas ruas. Paramos em um desses horriveis tourist traps e comemos umas tapas que nao foram das melhores. Alias, para dizer a verdade, em termos de tapas estamos mais bem servidos em Londres...

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Em Barcelona - I

Houve mais aventura - digamos assim - do que eu realmente desejaria na minha viagem a Barcelona. Mas vamos por ordem.

Chegamos la e pegamos o trem ate a estacao central, e depois um onibus ate o hotel. Foi legal porque fui conversando o trajeto inteiro com o motorista de onibus, papo vem, papo vai, e voce ja comeca a tentar captar um pouco da cultura local. O que eh bem dificil quando se eh turista, veja bem, creio que so ha mesmo como entender os locais depois que se mora por um tempo na terra, no minimo 6 meses na minha opiniao.

Os espanhois costumam ser meio bruscos no inicio de uma conversa, mas ha como adoca-los rapidinho. E boba que nao sou, ja sabia como fazer isso: primeiro disse que preferi ir a Barcelona do que a Madrid em primeiro lugar, e o catalao ja abriu um sorriso de orelha a orelha. Depois prestei louvores ao time local - o Barca, claro, o qual realmente eh meu preferido no campeonato espanhol - e fiz a promessa de que visitaria o estadio deles - coisa que nao fiz, logico. Por ultimo, voce diz que eh brasileiro e nao ha ninguem no mundo que odeie brasileiro.

Uma coisa interessante aprendi na conversa com o motorista catalao, e depois lembrei que havia mais ou menos batido o mesmo papo com o Funes portugues. Ambos fizeram uma reclamacao ligeira do euro. Oras, todo mundo sabe que a Alemanha pagou e continua pagando a conta para que todos esses paises pobres - primeiro os da Europa Ocidental, agora os da Europa Oriental - entrassem na UE. Eu farei questao de ver o que os alemaes pensam disso quando for la em fevereiro (sei que os alemaes ocidentais - eles ainda se dividem assim, depois de 20 anos de queda do muro - nao gostam muito de ter pago a conta da unificacao da Alemanha, ja ouvi isso da boca de uns tantos quantos). Enfim, apesar de ficarem satisfeitos de fazerem parte do mesmo time seleto da UE, digamos assim - "agora somos como os franceses", ouvi dizer - ou seja, a moral deles aumentou porque agora sao europeus de verdade, e nao PIGS (acronimo para Portugal, Italy, Greece and Spain, os sempre paises pobres do Mediterraneo), eles reclamam do aumento do custo de vida que tiveram com a introducao do euro. Uma cerveja no Porto que custava o equivalente a 80 centavos de euro (em escudos) custa hoje em dia 2 euros. O motorista catalao disse que quando tinham as pesetas, eles conseguiam poupar. Diz que agora mal e mal da para pagar as contas, "eh tudo tao caro". "Nosotros ahorrábamos, ahora no más".

A cerveja la em Barcelona eh 2 euros tambem, e eu claro achei muito barata. Obviamente quando se tem um Banco Central "estrangeiro" comandando as taxas de juros fica um pouco dificil controlar a economia do pais. Pelo menos em termos de medidas monetarias, restam as fiscais. Eh exatamente como as economias dolarizadas, so restam os instrumentos fiscais, porque as medidas monetarias ficam nas maos do FED. No caso da Europa, todo mundo sabe quem manda mais, hehe, e eh quem paga a conta que manda mais.

Por que todo esse medo horrivel que o ECB tem da inflacao e esta custando tanto a abaixar as taxas de juros no momento? Por causa da hiperinflacao na Alemanha logo depois da WWI. O ECB eh mais alemao do que frances, italiano, espanhol, etc...

Voltando `a viagem, o catalao Francisco foi muito simpatico com a gente, e eu ja fiquei animada com a terrinha. Fora que nao fazia tanto frio no momento como em Londres, o que ja era bom sinal...

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Quase...

O voo foi tranquilo, decolamos no horario planejado no maior e mais movimentado aeroporto do mundo - imagina se fosse Guarulhos, heim - e chegamos 20 minutos antes do horario previsto em NYC devido aos bons ventos.

Vou para a fila de imigracao apresentar os documentos. Engracado, nao gostei da cara do sujeito. Ele olha, olha, olha o meu passaporte. Pergunta uma coisa ao colega do lado. Eu faco cara de paisagem, mascando chicletes.

Ai ele me diz: "o seu passaporte deveria ter pelo menos 6 meses de validade para voce entrar nos Estados Unidos. Voce nao pode entrar". Verdade seja dita, eu sabia desse fato antes de embarcar, sabia que eles poderiam encrencar com isso. Mas fui em frente. E tinha de jogar o jogo deles.

E o jogo eh uma guerra de nervos, e perde quem se descontrolar antes. Eu so arregalo os olhos com jeito de "ohhh nao sabia disso!!!". Nao falo mais nada, nao ha nenhuma outra reacao da minha parte. Continuo com cara de paisagem, mascando chicletes. Respondo uma ou outra pergunta dele, como por exemplo:

- O que voce fez em Columbia?
- MBA.
- Em que?
- Business.

Assim mesmo, monossilabico. Respondendo apenas o estritamente necessario.

Ele joga a parte dele, demora-se olhando mais coisas. Pega um manualzinho e le algo. Ai, para minha satisfacao, ele joga a toalha:

- Coloca o indicador esquerdo no painel.

Ahhh, vai me deixar entrar, pensei. Senao nao estaria pedindo as digitais.

Como conselho final, ele me manda renovar o passaporte na embaixada brasileira em Londres o mais rapido possivel. Have a nice trip, despede-se de mim.

Por muito, muito pouco nao haveria mais casamento em Manhattan. Mas a minha imprudencia rendeu pelo menos uma boa estoria para se contar aos amigos e netinhos.

Ainda tenho a impressao de que o que me salvou foi ter feito o MBA em Columbia e ter vindo de Londres - a minha permissao de trabalho na Inglaterra me confere um grau de respeitabilidade maior do que se eu trabalhasse... no Brasil, por exemplo.

Eu disse "impressao". Pode ser apenas que ele tenha me achado bonitinha...

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Despedida de Solteira - I

Oito anos e meio... Nem parece que faz tempo assim, ainda me lembro de quando o vi pela primeira vez no banco, achei-o com a cara tão de sério, poxa esse garoto não ri nunca, parece 10 anos mais velho do que a gente.

E parecia mesmo, pois já era careca àquela idade. Mas era um pouco mais novo do que eu. Normal, nunca namorei ninguém mais velho, no máximo da mesma idade e olhe lá.

E com que seriedade levava todo o programa do banco para recém-graduados, sempre respondendo corretamente, as palavras bem pronunciadas, o discurso afinado. Eu já era o contrário, sempre tentando causar impacto, opiniões bombásticas, riso escancarado na cara, uma palhaça.

Calhou de fazermos uma das rotações na mesma área. Sentávamos um de frente para o outro. Morava sozinha em São Paulo e não tinha amigos. Os finais de semana eram uma tristeza: ou voltava para Belo Horizonte, para a casa da família, ou me mandava para Curitiba, onde uma amiga minha morava (Leila, onde anda você?). Uma sexta-feira a tarde não me aguentei, ao ouvi-lo combinar uma saída com os amigos para mais à noitinha, e mandei de supetão:

- Ei, posso ir com vocês? Não tenho amigos aqui em São Paulo, desde que vim para cá ainda não saí...

Olhou-me um pouco surpreso, é claro, mas rapidamente disse que sim, que passava lá em casa às 8 da noite para sairmos com a turma.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Wedding & The City

Ah decidimos, vamos nos casar no melhor estilo Sex & The City: dia 27 de junho, no City Hall em Manhattan. Chiquérrimo. Estava pensando em comprar um Manolo para comemorar a ocasião, mas não gostei dos modelitos primavera-verão ainda em estilo gladiador. Aliás, há muitos desses no filme.

Eu não acreditei, foi um lampejo. Minha amiga me convidou para ver o filme - o namorado dela não queria ir por nada desse mundo. Eu topei, não tinha nada mesmo para fazer domingo a tarde, vamos lá ver o tal do filme. As expectativas eram baixíssimas: diziam que era pior do que a série. Overall, é a mesma coisa que assistir a um episódio um pouco mais longo do que o habitual; as críticas foram exageradas, claro. Alguém achava que a Carrie ia sair citando Platão no meio do filme ou de repente ia deixar de ser menos tapada?

Após sairmos do cinema, batendo um papo em um Starbucks lá perto, falamos de casamento. Essa minha amiga é de Trinidad & Tobago e está indo para lá casar, na mesma data que estou indo para NYC. Estávamos falando de como é difícil fazer casamento a distância, quanto se gasta de dinheiro à toa, etc etc etc. Ela confessou que estava fazendo o casamento só porque os pais faziam muita questão. Oras, no meu caso ninguém fazia questão, por que não um casamento a la SATC?

Chego em casa e pelo Skype pergunto ao Barba se ele topa: na hora, vamos desmarcar o que já havíamos marcado no Brasil. Vamos mesmo? Vamos! Obaaaaaaaaa!

Para quem estiver interessado, é quase tão fácil como casar em Vegas. Não se exige residência nem nada, basta apresentar o passaporte e aparecer no horário de funcionamento. Mais detalhes aqui.

Depois é rumar com mais 8 amigos para o Peter Luger no Brooklyn, que essa dieta de frango, peixe, salada e sopa já está me deixando com náuseas...

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Garota de Sorte

Ou Laura e os Octagenários

Ontem fui à Royal Opera House, assistir Simon Boccanegra. Foi minha primeira ópera italiana. Vai, concordo, não deve ser das mais empolgantes, mas achei legal. Na verdade o que interessa é todo o esquema em si, comprar ingresso, ir ao teatro, ver as outras pessoas (a fauna humana, o zoológico), etc. Isso é que é divertido.

Bom, compramos o ingresso uma semana antes, o mais barato de todos: custou 7 libras cada, e dava direito a ficar em pé. Não foi idéia minha, foi idéia da minha roommate (ela tem 50 anos, se ela aguenta eu tenho de aguentar, né). Pensei, "o que eu perco com isso?", "nada mesmo", respondi a mim mesma, e resolvi testar a experiência de ficar 2 horas e pouco em pé ouvindo árias (penso que deve ser uma tortura chinesa para algumas pessoas).

Saí direto do banco, um pouco mais cedo que o de costume, às 6:45 da tarde. Peguei o metrô e cheguei com folga às 7:15. Elas já haviam entrado, minha roommate e sua amiga, e deixaram meu ingresso na bilheteria. Peguei-o e me dirigi ao local, via elevador. Cheguei ao "assento" e não as encontrei, mas faltavam ainda 5 minutos e pensei que deveriam estar tomando um café ou coisa do gênero.

Estava quente. "Cadê o ar condicionado, esse povo acha que porque estamos nas altas latitudes não precisamos de ar condicionado em maio?". Tirei o paletó do terno e o casaco e deixei-os em uma barra logo atrás do meu "assento". Estava arrumando as coisas, pegando os óculos, guardando o ingresso na bolsa, quando de repente me chega uma garota quase que correndo e me pergunta assim do nada, out of the blue:

- Você está sozinha?
- Estou (Estava, não estava? Não havia ninguém ao meu lado).
- Meu amigo não veio, tenho aqui um ingresso, é de graça, você não quer sentar na cadeira? É bem melhor ver a ópera sentada, né?
- Tá bom, aceito. Minhas amigas virão mas eu as encontro mais tarde.

E lá vou eu serelepe da vida atrás da garota, tivemos que escalar algumas cadeiras pois o detour seria muito grande, e a casa estava se enchendo. Antes, porém, vi as duas chegando e disse um rápido "meu dia de sorte, vou me sentar!".

Comprei um ingresso de 7 libras, sentei em uma cadeira de 30 libras. Boa matemática.

Enquanto isso, o teatro se encheu completamente. A idade média da platéia deveria ser de 60 anos aproximadamente. Depois tenho que perguntar à minha roommate se inglês velho ganha ingresso de graça ou paga meia como no Brasil. Sei que andam de metrô de graça - de graça não, um usuário como eu paga a passagem deles.

No meio da ópera, um dos idosos atrás de mim começa a roncar. Talvez a octagenária, talvez o velhote de setenta-e-lá-vai-fumaça. Pensei, "deixa pra lá, não vou criar caso com velho inglês". Já foi o tempo que me incomodava demais com isso.

Durante o intervalo, resolvi não sair junto com a multidão, preferi ficar no assento. Detesto multidões. Elas andam vagarosamente e eu estou sempre com pressa. Às vezes nem sei o motivo da pressa. Minha mãe sempre me pergunta se é pressa de morrer.

Foi aí que ouvi a estória da Laura. Um sujeito em uma das laterais também ficou em seu assento, fazendo ligações telefônicas em seu celular. Depois de ficar todo o primeiro ato sentada, resolvi ficar de pé no intervalo, e me encostei em uma das pilastras para melhor admirar o teatro - que é bem bonito, por sinal. Sem querer, comecei a prestar atenção no papo dele.

Ele dizia a Laura para que ela se acalmasse. Que continuasse a trabalhar como se nada tivesse acontecido e mantivesse a compostura. "Onde a Laura trabalha? O que faz a Laura?" Que ela fosse ao chefe dela e contasse tudo. "Tudo o quê?" Que ela não podia proteger seus colegas, mesmo que fossem amigos. Em grandes corporações o roubo é uma coisa muito séria. "Roubo! Oh começa a ficar interessante. Quem sabe a Laura não trabalha em um grande banco de investimento e o pessoal está desviando dinheiro, ou estão fazendo alguma armação do gênero?" Ele disse mais algumas palavras de conforto à Laura, que devia ser jovem - ele era um cara de quarenta para cima - e desligou. Mas imediatamente ligou para outra pessoa e começou a narrar o caso da Laura. Contou tudo isso aí acima, e que esse seria um teste bem importante na vida profissional da Laura, que se ela aprendesse com esse evento já seria um ganho. "Eu ainda não sei o que a Laura fez ou deixou de fazer, dá para contar?" Pois alguém no trabalho da Laura roubou 50 libras e estavam botando a culpa nela. Você vê, a pior injustiça do mundo é ser acusado de algo que não se fez, e a Laura estava consternada com esse fato.

Tive de me afastar nessa hora para não dar muito na cara que estava ouvindo a conversa dele. E concordei, sim, a pior injustiça do mundo é ser acusado de algo que não se fez. Divaguei, pensei com meus botões. Se você faz algo errado e é pego, não é das coisas mais agradáveis, mas você sempre sabe o risco que está correndo. Está preparado para o fato. Já se não faz nada e alguém te acusa...

O segundo ato começou e alguém velho na fileira de trás começou a roncar novamente. "Por que não ficam em casa dormindo e insistem em vir ao teatro a essa hora? Não é hora de octagenários estarem na rua, têm que vir a matinées". Mas o pai ou avô da minha benfeitora cutucou a pessoa de trás e disse um rápido "desculpa, mas você está roncando". Não ouvimos mais roncos até o final da peça.

E peguei o metrô e vim de volta à casa. Não, não encontrei as duas no intervalo e depois não as vi mais. Ou desistiram, ou arrumaram uma cadeira vazia. Duvido dessa última hipótese, o teatro estava lotado. Deve ser mesmo muito duro assistir a mais de 2 horas de árias em pé. Um teste árduo para qualquer cristão em sã consciência.

Decidi que nunca mais comprarei esses ingressos a 7 libras.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Ouro Preto?

Não, Rieti, no centro da Itália! Saímos de Roma e passamos por Rieti no caminho para Florença.

Mr X comeu, segundo ele, o pão com porchetta mais gostoso da vida, comprado em uma carrocinha plantada na praça da Porta Romana, essa aí que vocês vêem se abrem a página referência da Wikipedia. Estava ali mesmo, à direita da árvore, atrapalhando a minha foto da porta, mas tudo bem, o que valeu mesmo foi que o sanduíche estava gostoso.

Foi da "grande" Rieti (área rural da cidadezinha) que saiu um dos bisavós do Mr X, imigrando para o Brasil. Tinha 18 anos e foi à cata de aventuras, ops, oportunidades melhores.

Fiquei pensando, se ele não tivesse feito isso, não teria agora o meu italianão, né? E viva Rieti!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Paris, Paris! - Parte VI

Para que escrever mais? Uma imagem vale mais que mil palavras! Quero voltar a Paris, quero voltar a Paris, quero voltar a Paris!!!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Paris, Paris! - Parte V

Talvez eu devesse dar outro nome a esse post, algo como "Eu Fui!" Mas aí a gente se perde nos episodios dessa serie simplesmente fantastica, das mais fantasticas que ja me ocorreram.

Um aparte: um leitor outro dia disse que a minha melhor aventura foi quando viajei ao Brasil em epocas de apagao aereo e bem antes do Natal. Querera o distinto leitor me mandar a lugares mais inospitos, tais como o Afeganistao? Com certeza terei material de sobra para encher nao apenas um blog, mas varios.

Voltando a Paris, cidade civilizada, linda, a mais bonita do mundo, fenomenal, um show simplesmente.

Eu sempre disse que quando fosse a Paris iria visitar o tumulo do Jim Morrison, que esta no cemiterio mais famoso de Paris, o Père-Lachaise. Alias, ha outras pessoas mais importantes que o vocalista do The Doors enterradas la, mas nao quis saber: tinha de achar o tumulo do Mr Mojo Risin' de qualquer jeito.

Convencer o Mr. X a ir a um cemiterio nao foi facil. Convence-lo entao a ir a um cemiterio visitar um roqueiro morto foi mais dificil ainda. Mas o que eh que eu nao consigo dele, hehehe. Aproveitamos o dia em que fomos visitar a Sacré-Coeur - ao pe da qual comemos o mais delicioso croissant de Paris, tomamos o melhor chocolate quente e de sobra deglutimos um soberbo pain-au-chocolat, em uma cantina das mais simples possiveis. Saimos da igreja, passamos por uma lojinha que vendia cacarecos a turistas - parando para comprar uma boina preta made in Italy que deixou o Mr. X com cara de frances do norte, e nos mandamos para o outro lado da cidade.

Fomos a pe. Aproveitei para conhecer Paris mesmo, porque tivemos quase de atravessar a cidade, de oeste a leste. Passamos pelo centro, onde ficam as estacoes de trem. A cidade perde um pouco do charme, mas ainda assim eh Paris, se eh que me entendem. Outro aparte: fico sempre pensando por qual motivo na maioria das cidades que conheco o lado leste eh sempre o pior. Eh assim em Sampa, Londres, Paris e NYC.

Chegando ao cemiterio, havia um mapa na entrada, com a secao e o numero do tumulo. Ah se fosse facil assim como estou descrevendo! Gastamos mais de 1 hora para achar o tumulo dele! Percorremos pelo menos metade do cemiterio, e nada de achar. Eis que, depois de voltar ao mapa da entrada pelo menos umas 2 vezes - nao havia outros mapas, e de Mr. X estar no final da paciencia, ta-rannnnnnnnn!

- Pô, é isso aqui?
- Que droga, heim, você me fez andar metade da cidade e perder 1 hora nesse cemiterio para ver essa porcaria?
- Ah, deixa eu tirar umas fotos. Pelo menos nos viemos, ne.
- (...)
- Eu achei que ia encontrar uma coisa mais imponente, sabe. Pô, o cara era o Jim Morrison. O Jim Morrison! Mas esse tumulinho aqui está mesmo muito sem graca... Vão 'bora!

Sai do Père-Lachaise com a sensacao de dever cumprido e fomos jantar nas imediacoes da Praça da Bastilha. Pedimos refeicao completa: entrada, prato principal, sobremesa e vinho. De entrada veio foie gras, o qual nao curti mesmo. Super oleoso, pesado, gosto de gordura. Cheguei a conclusao de que nao aprecio nada exotico - nao gosto de caviar tambem nao. O resto do jantar estava muito bom. Pena que demorou 3 (sim, tres!!!) horas no total. Nunca vi tamanha lentidao para trazer os pratos. Quase, eu disse quase, cheguei a sentir saudade de um restaurante fast-food americano...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Paris, Paris! - Parte IV

Onde estava mesmo? Ah, me lembrei, estava na parte em que o oficial frances jogou o chihuahua em cima da gente, haha. Nao, foi um cocker. De qualquer forma, deixe-me retomar o fio da meada.

O resto da viagem foi tranquilo. Em Dover, pegamos o ferry que nos levou ate Calais. O detalhe eh o seguinte: voce nao pode ficar dentro do bumba, tem que sair. La em cima eh legal, tem umas poltronas espalhadas, um bar, um lounge com musica e videogames, e mais o free shop.

Tomamos cerveja e eu ainda dormi um pouco em um sofa. A viagem de ferry durou 90 minutos cravados. Dai entramos no onibus novamente e foram mais umas 4 horas ate Paris. Ou seja, de Londres a Paris de bumba eh como de Sao Paulo a Belo Horizonte: gastam-se em media 8 horas de viagem. So que ha posto de imigracao, ferry e chihuahuas no meio do caminho - e nao uma pedra.

Eram 6 da matina quando chegamos a Paris. Um frio de lascar, e havia um ventinho encanado naquela rodoviaria que gelava os ossos. Fomos para o metro e chegou a grande hora de eu colocar o meu frances enferrujado em pratica.

Havia uma fila imensa para se comprar o bilhete do metro com uma funcionaria no guiche. E nenhuma fila para se comprar na maquina. Ao contrario de Londres, em Paris nao se acha um unico mapa do metro, nada nada nada nas estacoes. Senao teria pego um folheto de tarifas, olhado no mapa as estacoes, e comprado o bilhete na maquina. Como nao tinha informacao nenhuma, tive de esperar pacientemente na fila, sentindo o ventinho gelado nas costas, para comprar com a menina.

Nesse meio tempo, havia 3 brasileiros na nossa frente. Ficamos conversando, mas eles estavam mais perdidos que a gente, hehe. Compraram o bilhete ilimitado valido por 1 dia, e nos desejaram boa sorte. La fui eu arranhar o frances.

- I getta go to this address (e mostrei o papel impresso da internet com o endereco do hotel pelo vidro), and I don't know where it is.
- (ela olha e olha pelo vidro) Wait a minute.
- Here, take the paper with you (e coloco o papel por baixo da janelinha do guiche).
- (ela procura no computador o nosso endereco, e depois de uns minutos...) You are here (e circula num mapinha de metro a estacao da rodoviaria), and you're going here (e circula a nossa estacao de destino no unico mapa do metro de Paris que tive na viagem).
- Ok, is it zone 1-2? (zonas centrais de Paris)
- Yes.
- How much is the ticket?
- 1.50 euros each. How many do you want?
- (e ai a estupida aqui, depois de ter conversado todo esse tempo em ingles com a francesa, faz um sinal de 2 pela janelinha - ridiculo!!!!!)
- ?!?!
- Deux billets!

Mr. X, nao preciso nem dizer, tirou a maior onda da minha cara. Entao, conversando o tempo todo com a menina em ingles - alias, quem disse mesmo que frances se recusa a falar ingles? Falei MUITO ingles na Franca, e fui super bem tratada, mais um paradigma quebrado - para no final fazer sinal com as maos como se fosse uma ignorante? Hahahahahaha.

E la entramos nos no metro, rindo para variar um pouco da situacao. Tirei uma foto depois com o sinal de 2, so para ficar gravado e rirmos mais nos anos vindouros...

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Paris, Paris! - Parte III

Chegando em Dover, tivemos que passar pela Imigração. O primeiro oficial que olhou meu passaporte foi ok, não posso reclamar. Meteu o carimbão lá e foi isso. Daí, nos colocaram todos em fila, um ao lado do outro; pediram a mim e outras mulheres que colocássemos as bolsas no chão. Pensei que iriam nos revistar, que nada. Lá veio um cachorro cheirar a gente! Cheirou, cheirou a minha bolsa, achei que iria comê-la de tanto que metia o focinho. "Só pode estar sentindo o cheiro da gyoza/dumpling/sei-lá-como-chama-aquilo que comemos na rodoviária", pensei. Não deu outra, outro oficial pede para revistar a bolsa. Do meu lado, Mr. X também estava sendo revistado. Pelo que ele me disse mais tarde, o cachorro invocou com sua virilha.

- Para onde você está indo?
- Paris.
- Quantos dias vai ficar?
- 4.
- Com quem está indo?
- Com ele ali, ó - e aponto para o lado.
- Quanto dinheiro está trazendo?
- Nada.
- ?!?!?!
- Estou trazendo cartão de crédito - e fiz cara de que isso é a coisa mais normal do mundo, e não é???

E ele mexe em toda a minha bolsa, tira até cartão de contatos do banco que estavam lá dentro. Não achando nada, me libera.

De volta ao bumba, começamos a dar risada uma atrás da outra, não deu para segurar.

- Você viu a francesada???
- Pô, ainda bem que não me pediram para tirar a calça!
- Hahahahahahahahaha. Francês burro, meu. Onde já se viu, que raça é aquela de cachorro?
- Acho que é um cocker spaniel.
- Hahahahahaha enquanto todas as polícias do mundo usam um pastor alemão para cheirar droga a francesada usa um cocker spaniel!!!!
- Acho que o cachorro estava com fome...
- Porra, só faltava os queridos usarem um poodle, aí ia ser demais, heim!
- Que nada, pensando bem, podia ser pior, podia ser um chihuahua!
- Hahahahahahahahahahaha.

E nao me aguentava de rir, ao imaginar um francês todo afetado soltando um poodle ou um chihuahua em cima da gente...

sábado, 5 de janeiro de 2008

Paris, Paris! - Parte II

Entrei no onibus e peguei as cadeiras da frente, que me permitiam ver a estrada. Em relacao a onibus, o Bananao tambem ganha do mundo civilizado: nao que os onibus ingleses/franceses sejam ruins, mas poderiam ser melhores. Nao ha a categoria "primeira classe", se eh que me entendem. Os precos de todos os onibus e de todos os assentos sao iguais, absolutamente iguais. Fiz questao de ir em um carro que na internet dizia ter extra leg space. Era um onibus mais elevado, em que os assentos se situam na parte superior do veiculo - e nao ha assentos na parte inferior. Acho que a linha RJ-SP tem esse tipo de bumba. As cadeiras reclinam como cadeiras de aviao - ou seja, pouquissimo. Nao ha onibus "executivo", hehehe.

Bem instalada e ainda esperando por Mr X, comecei a olhar ao redor. Quem anda de onibus na Europa? Bem, eh um mix de mochileiro, turista, pessoal sem recursos e maluco. Acho que me encaixava ali nas categorias "turista-maluco".

Comecei a pensar em seguranca. Nao ha qualquer seguranca em uma rodoviaria, seja ela no Brasil, Israel, Estados Unidos ou Europa. Se eu fosse terrorista, explodiria bombas em rodoviarias. Nao ha como checar a bagagem de ninguem. Basta enfiar uma mala de explosivos em qualquer onibus e pronto, o estrago esta feito. Nao precisam nem sacrificar ninguem na operacao. Ou basta deixar uma mala cheia de explosivos no meio da balburdia e acionar o botao. Estou pensando seriamente em escrever uma cartinha para o prefeito de Londres pedindo medidas urgentes de seguranca na Victoria Coach Station. Deveria haver detector de metais. As bagagens deveriam ser checadas como em aeroportos. Podem me chamar de neurotica. Mas ha que se pensar com a cabeca deles. E se eu fosse um deles, faria exatamente isso que estou descrevendo.

Bom, depois de divagar alguns minutos sobre esse fato, e como nao poderia fazer nada no momento a respeito, a nao ser rezar para que nao houvesse nenhum fanatico islamico dentro do onibus (islamicos havia, mas nao fanaticos, creio), como diz a nossa querida Martaxa, relaxei e gozei. Vamos que vamos que quero chegar a Paris!

Ate o porto de Dover a viagem foi bastante tranquila. Nao ha o que relatar, a nao ser que as estradas inglesas sao bastante boas (ohhhhhh - um aparte aqui, para voces darem risada: quando me mudei para Sao Paulo, so havia andando em estradas mineiras, cariocas, capixabas, baianas, goianas, catarinas, paranaenses, e paulistas federais - ou seja, buraco puro, acostamento quase que nenhum e faixa unica. Havia tambem morado nos Estados Unidos, e ai sim, ja havia sentido o que era ter estrada de verdade. Pois, quando me mudei para Sao Paulo e fiz a primeira viagem de carro em direcao ao litoral norte, usando a estrada Ayrton Senna - 3 faixas, asfalto bom, acostamento e separacao fisica das pistas, nao segurei o comentario: "Nossa, mas tenho de contar isso para a minha mae, Sao Paulo tem estrada igual os Estados Unidos!!!" O pessoal que estava no carro, todos paulistas e acostumados com aquelas estradas desde criancinha, deu muita risada - fim do aparte).

Chegando a Dover, pois, tivemos que passar pela Imigração francesa. Foi hilário...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Paris, Paris! - Parte I

Pois resolvi tudo na sexta-feira dia 22 de dezembro mesmo: queria passar o Natal em Paris. Naquele instante, no final da tarde, nao achava mais nada: passagens aereas somente em horarios para la de esdruxulos, saindo e chegando de aeroportos para la de distantes. Eurostar? Adoraria ter ido de trem, saindo do centro de Londres e chegando ao centro de Paris, mas ja nao havia mais bilhetes a precos razoaveis. Fazer o que entao? Ir de bumba, ora bolas!

Obviamente que se tivesse decidido a viagem pelo menos um mes antes teria comprado a passagem de trem pelo mesmo preco da passagem de onibus. Como deixei para o ultimo momento, ao inves de fazer o trecho em 2 horas e 15 minutos, fiz em 8 horas. Mas que foi engracado, foi.

Por incrivel que pareca as rodoviarias do Bananao sao mais organizadas que as rodoviarias europeias. Logico ne, preciso dizer o motivo? A maior parte da populacao do pais anda de busão, entao o troço tem que funcionar. Ja na Europa, e principalmente nos Estados Unidos, quem anda de onibus? Na Europa eh mochileiro. Nos Estados Unidos, eh gente para la de pobre.

Primeiro ponto: nao ha como marcar lugar! Voce compra a passagem pela internet, imprime o papelzinho, e leva à rodoviaria. Tem que chegar 1 hora antes para fazer o check-in. O check-in se resume em mostrar o papelzinho, mais o passaporte no nosso caso, e ganhar um cartao de embarque.

Segundo ponto: como nao ha lugar marcado... Imaginem que as pessoas, mesmo as europeias, se transformam em bestas-fera para pegar os melhores lugares no bumba. Hahahahaha, de chorar de rir. Eu entrei na onda. Fiquei rondando todo onibus que chegava aos portoes de embarque do nosso lado. Na Victoria Station em Londres, nem havia portao de embarque direito. Quer dizer, haver havia: mas o onibus poderia chegar e ficar atras de outro, e ai a gente deveria andar ate ele para embarcar, no meio da pista. Alguem falou em andar? Correr eh o melhor verbo.

Um frio danado e eu la, vendo os onibus chegando e saindo. Queria porque queria os assentos bem da frente, com a janelona a mostrar a estrada. De uma vez em que estava rondando os onibus, um motorista me viu falando em portugues com o Mr. X, e ai me deu a dica (era portuga, o gajo): seu onibus vai chegar e enfileirar aqui, espera mais uns 10 minutos.

Ja havia combinado com o X: voce coloca a nossa mala no bagageiro, e deixa que eu consigo o nosso lugar. Mulher eh mais esperta para essas coisas. Eis que o bumba se aproxima, e voces ja conseguem ouvir como fundo musical o tema de Chariots of Fire -ta na na na naaaaa naammm, ta na na na naaaaammmmmm...

Bem, so sei que fui a primeirinha, pois a menina que estava do meu lado demorou a ver que a mao do motorista ja estava estendida pedindo o cartao de embarque. Coloquei o meu cartao na mao dele, sem hesitacao. O gatilho mais rapido de todo o noroeste londrino!

E subo as escadinhas, e pego os 2 assentos da esquerda, de frente para a janelona...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Outra Medida de Desenvolvimento

Eu ja tinha lancado aqui umas hipoteses em relacao ao desenvolvimento urbano. Vou lancar mais uma, com base no que ocorreu ontem a noite. Na verdade ela pode ser encarada como um subgrupo da hipotese 1, mas vale a pena lancar essa aqui em separado.

3) Os taxistas da cidade sao uma amostra representativa da populacao em geral. Ou seja, em locais desenvolvidos ha um servico relativamente decente de taxi, e os motoristas sao educados. Em locais nao desenvolvidos, o servico eh um droga - como quase todo o resto by the way.

Essa semana praticamente todas as mesas fizeram suas respectivas festas de final de ano. Como ainda estou em rotacao, fui convidada para tres, sendo que uma foi na quarta e duas foram ontem, quinta. Nada de excepcional a relatar na festa de quarta; alias, nem nas duas de quinta. O negocio foi depois da ultima festa de quinta.

O metro de Londres nao eh 24 x 7, o que eh um absurdo total. O ultimo trem - "moro em Jaçanã, se eu perder esse trem..." - passa nas estacoes centrais por volta da meia noite e vinte. Pois bem, eram 11:45 e ainda estavam servindo a sobremesa. Ninguem havia saido. Resolvi ficar, e um dos futuros chefes disse que eu podia mandar a conta do taxi para a mesa dele - ja que "Jaçanã" fica longe um bocado!

Saimos do restaurante a meia noite e quarenta mais ou menos. Um colega decidiu ficar comigo, ja que o resto do pessoal morava perto e pegaram um taxi nao licenciado juntos (aponto o primeiro problema: taxi nao licenciado?). Como eu iria sozinha, tinha obrigatoriamente de pegar um licenciado.

Dezenas de taxis passando de um lado apenas - o lado leste, onde os taxistas moram. Eu moro no lado oeste. Quem disse que eles queriam me levar? Nao, simplesmente nao. Carro vazio esperando alguem decidir ir para a zona leste, de forma que o motorista recebesse por sua viagem ate em casa. Segundo problema: trabalhador que se recusa a trabalhar, melhorar de vida, ganhar mais dinheiro; londrino nao quer saber de trabalho?

Finalmente, depois de andar por 30 ou 40 minutos em direcao ao lado oeste, e comecando a ficar desesperada, passa um taxi. Eu decidi falar com o motorista, logo fui a frente do colega. Sabe como eh, jeito feminino eh melhor para essas coisas de urgencia. Adivinhem a nacionalidade do motorista? Indiano ne. Hahahahaha. Tenho sorte com indiano. Ele ia comecar a fazer uma cara meio feia quando disse onde morava, mas ai eu olhei com cara de cachorro pidao e ele aceitou me levar em casa.

Fomos conversando do inicio ate o fim, e para variar o velhinho era simpatico. Dei uma gorjeta gorda a ele - cortesia com o chapeu dos outros eh facil, peguei recibo e entrei em casa as 10 para as 2 da manha.

Moral da estoria: da proxima vez, por melhor que esteja a festa, se nao tiver casa de amigo onde ficar, diga adeusinho a todos e pegue o ultimo trem.

P.S.: comparando o servico de taxi de Sampa com o Rio, da para notar a diferenca de desenvolvimento, para ficar em um exemplo brazuca. Mais ou menos a mesma coisa Londres x NYC.