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quarta-feira, 18 de maio de 2011

A Beleza Divina

Funes, nesse argumento genial, descreve com exatidao a beleza divina. Vou coloca-lo individualmente aqui para sempre te-lo `as maos:

"... a beleza divina não está só ao alcance de quem tem dinheiro, tempo e saúde. Está é vedada a quem não recebeu a graça da inteligência."

A graca da inteligencia... Quanto ao post da Mestra de Aviz, realmente um dos jeitos mais faceis de ver a beleza divina esta na natureza. Mas com certeza, como diz Funes, nao precisamos nos deslocar ao Grand Canyon toda vez que queremos aprecia-la. Eu, sempre que leio uma materia sobre o universo ou vejo algo no Discovery Channel sobre a criacao do mundo, penso imediatamente no milagre que eh esse mundo em que vivemos. Um milagre, efetivamente. Contra toda as estatisticas possiveis e imaginarias.

Quer mais? Va ao parque e veja as maes passeando com os bebes. Uma vida eh outra prova da beleza divina... Esta ai, na frente de todo mundo, mas as vezes temos teias de aranha na frente do olhos. Vemos, mas nao enxergamos.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Lope de Vega

Rimas sacras, Soneto XVIII

¿Qué tengo yo que mi amistad procuras?
¿Qué interés se te sigue, Jesús mío,
que a mi puerta, cubierto de rocío,
pasas las noches del invierno escuras?

¡Oh, cuánto fueron mis entrañas duras,
pues no te abrí! ¡Qué estraño desvarío
si de mi ingratitud el yelo frío
secó las llagas de tus plantas puras!

¡Cuántas veces el ángel me decía:
Alma, asómate agora a la ventana,
verás con cuánto amor llamar porfía!

¡Y cuántas, hermosura soberana:
Mañana le abriremos -- respondía --,
para lo mismo responder mañana!

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Sermão de Hoje

Eu acho que o padre Campbell não se importaria se eu replicasse o seu artigo do boletim da igreja aqui. O sermão de hoje foi na mesma linha.

The Radiance of God

Faith in God has many analogies and one of the most impressive is that of light, as we hear in today's Gospel (Luke 9:28-36). It is something which we are familiar with and one which is obvious in its power. We look at the sun and astronomers through the centuries have tracked its course and we realize that its power is immense; were it not for the sun, we could not see and we know that to be the case because we also know what darkness is like. This power of the sun was the object of worship in pre-Christian religions and divine power was ascribed to it as a result of its importance for life on earth. As the god of a natural religion, it has no worthy competitors.

Pagan and then Christian philosophy and theology took up to this theme of light and transferred it to the Triune God: Father, Son and Holy Spirit. The difficulty for many of these thinkers, however, was the invisibility of God. It was claimed by St John that Christ was the light that had come into the world but it was not an obvious light as the sun was. Certainly there was the illumination of His teaching but many things seemed to have been just the way they were before. The world on the surface had not changed even if the claim was that everything indeed had as a result of His Life, Death and Resurrection. If anything, it was darkness that appeared to hold sway. St Therese of Lisieux captured this well when she said, "There isn't just a veil; it is a great wall which reaches up to the sky and blots out the stars." How then could we speak of God as being radiant in light and in glory?

St Gregory of Nyssa was one who tackled this problem by appealing to the humility of mankind. His approach, taken up by others particularly of the Eastern Christian tradition such as St Symeon the New Theologian, was to remind us of the meagreness of our senses. They tell us that while we are able to detect many things, there is much that we cannot and, indeed, recent scientific discoveries have revealed what was always there but that with our five senses we could not detect.

We believe, as we say in the Creed, that God is everywhere and is the creator of all things - "seen and unseen" - so our faith tells us that God is a Real Presence in the universe. George Steiner's book of that name argues with great erudition for the existence of literature and art having to be underwritten by an unseen but necessarily present reference of meaning, and therefore, of God. This, however, is not what we see with our senses but lies beneath the surface of things.

Christian faith, too, believes in the radiance of God but it is a light which appears to us as darkness simply because we cannot immediately detect it. We look at the universe and all we see is darkness. We look inside ourselves and perhaps sometimes see the same. It is as if God has left us alone and gone away. Not true. There is a light shining throughout the whole of creation, a light so intense that we cannot see its glory, the radiance of God. It is there and is present to us and one day we shall see God who sustains all that He creates, including us. As the great Jesuit Juan Alfonso de Polanco in 1556 said, "The sun is not so ready to shed its light as God is ready to enlighten and fulfill our minds with the rays of grace."

domingo, 20 de dezembro de 2009

É Natal, é Natal

Amigos do blog - e inimigos também:

Desejo a vocês muita alegria nesse Natal. Alegria sincera, pois a redenção está em nosso alcance já que Jesus veio para nos salvar a todos!

Oh, sing to the Lord a new song! Sing to the Lord, all the earth.
Sing to the Lord, bless His name; proclaim the good news of His salvation from day to day.
Declare His glory among the nations, His wonders among all peoples. (1)

Shout joyfully to the Lord, all the earth; break forth in song, rejoice, and sing praises.
Sing to the Lord with the harp, with the harp and the sound of a psalm;
With trumpets and the sound of a horn; shout joyfully before the Lord, the King.
Let the sea roar, and all its fullness, the world and those who dwell in it;
Let the rivers clap their hands; let the hills be joyful together before the Lord,
For He is coming to judge the earth. With righteousness He shall judge the world, and the peoples with equity. (2)

(1) Psalm 96 - The Gideons International New Testament, Psalms and Proverbs
(2) Psalm 98 - The Gideons International New Testament, Psalms and Proverbs

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Stupid Englishman

Eu estou assistindo à série History of Christianity na BBC e tenho que aguentar cada uma... O narrador é um professor de Oxford e além de cometer alguns erros básicos ainda adora meter o pau na Igreja Católica como todo "bom" inglês. Não consigo me segurar na cadeira de tanta raiva que passo.

Para começar ele diz que foram os romanos que mataram Cristo. Eu sempre soube que foram os judeus, e Pôncio Pilatos efetivamente lavou as mãos.

O episódio da Reforma Protestante ainda não foi ao ar. Mas quero ver como ele vai explicar o ridículo surgimento da Igreja Anglicana na Inglaterra, totalmente devido a uma puta com sede de poder e a um rei lascivo e desprezível que não conseguia segurar o pinto dentro das calças. Isso porque ele mete o ferro na sede de poder de Roma e dos papas católicos. Eu juro que não sei o que Cromwell fazia na corte do rei - às vezes ele foi inspirado pelo Espírito Santo, quem sabe. Sede de poder? Nah, não na Igreja Anglicana.

E diz ainda que a Inquisição foi terrível - foi mesmo, mas o que foi a mini Inquisição inglesa, com sua perseguição a católicos, seus julgamentos e mortes na calada da noite, a destruição de todas as igrejas e monastérios - não foi isso terrível também? Até parece que os anglicanos foram mais "racionais". Ou bonzinhos. Sei.

Enfim, mais uma cruzada - se é que posso usar essa palavra - anti-catolicismo promovida pela BBC. E vou dizer para vocês depois de 2.5 anos morando aqui: é o catolicismo ainda que segura a Europa. Porque os protestantes europeus, esses queridos, já desistiram da fé cristã há muito tempo. Os ateus europeus são todos ex-protestantes. Os países mais católicos - França, Irlanda, Itália, Espanha, Portugal - são os que ainda dão valor à moral cristã e carregam com orgulho o estandarte. Como a Itália agora na recente questão do banimento dos crucifixos.

Aliás, quero contar esse episódio. Estávamos na missa de domingo, na Farm Street Church, quando o padre visitante do Texas nos deu a seguinte mensagem: que depois de todas as perseguições, de tudo o que nós católicos passamos nessa ilha, que ele ainda conseguia ver as igrejas cheias e cada vez mais cheias de católicos. E terminou com um americaníssimo "keep up the good work". Não preciso dizer que ele levou aplauso no final.

Bom, eu voltei a frequentar missas pela seguinte causa: uma bela tarde de domingo estávamos saindo de casa para exercitar no parque quando literalmente dei de cara com duas pessoas, quase na porta da minha casa. Cumprimentaram-nos e perguntaram se podíamos bater um papo por alguns minutos, tinham cara de boas pessoas, eram de meia idade, um homem e uma mulher. No final eles eram irlandeses da Legião de Maria e estavam fazendo um trabalho missionário no final de semana, ou seja, tentando trazer as ovelhas desgarradas para o meio do rebanho. Prometi que voltava, porque queria muito voltar de qualquer forma, e voltei.

Por isso digo que o catolicismo é o que segura as pontas aqui na Europa. A missa que frequento no domingo é cantada em latim. Você já viu missa em latim no Brasil? O catolicismo europeu é muito mais conservador e tradicional do que o catolicismo brasileiro. Principalmente em países como a Inglaterra, onde foram perseguidos. É quase como um seita, um grupo pequeno de pessoas, todos se conhecem e formam uma pequena família. Tomamos café na igreja depois da missa. Damos mais valor à nossa fé, à nossa igreja, e mais do que tudo, sabemos que somos especiais.

Então, a BBC que vá para a conchinchina vender seu peixe anti-roma. E que se não fosse por nós a segunda invasão islâmica já estava a ocorrer há mais tempo. Aliás, o narrador diz que não gosta do episódio das cruzadas. Eu gosto e muito.

Isso me lembra que tenho que visitar o Temple Church quando minha mãe estiver aqui no final do ano. Não fui ainda porque só fica aberto durante a semana.

domingo, 1 de novembro de 2009

All Saints

Oh when the saints go marching in
Oh when the saints go marching in
I want to be in that number
When the saints go marching in

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Para Quem Quiser se Juntar a Mim

Ano que vem, no começo da primavera muito provavelmente, vou pegar 2 semanas de férias para fazer alguns trechos a pé do Caminho de Santiago. Se eu ainda conseguir trocar de emprego, daí são 4 semanas (foi a promessa!). Mas como troquei internamente, o combinado foram 2. Bem que queria pegar 4 semanas e fazer o caminho por completo.

Anyway, a questão é que começo por St Jean Pied de Port, passo por Roncesvalles (la chanson de Roland), chego a Pamplona, pego o ônibus até León e depois completo o caminho a pé. Se forem só as 2 semanas como foi o combinado até então.

Vou pagar promessa! Quem quiser se juntar... Começo da primavera, antes que venham os turistas remelentos.

P.S.: um monte de informação legal aqui.

domingo, 4 de outubro de 2009

Fechando o Domingo...

... e a semana com Bach. Ave!

sábado, 20 de junho de 2009

Reflexão Para O Domingo

"For in much wisdom is much grief: and he that increaseth knowledge increaseth sorrow."

(Ecclesiastes 1:18, King James Bible)

segunda-feira, 26 de maio de 2008

A Filha de Caim

E o Senhor lhe disse: "... tu serás peregrino e errante sobre a terra."

(Gênesis, 4-12)

domingo, 13 de abril de 2008

Sabedoria

"Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado." (Mateus, 6, 34)

Ah se eu tivesse seguido essa recomendação antes, como teria sido mais feliz. Por que se preocupar à toa, por que consumir o tempo precioso com conjecturas inúteis. O que tiver de ser, será. Mais vale a pena uma reação rápida e sábia aos estímulos do ambiente, trabalhando com dados concretos, do que se amargurar e sofrer pelo incerto.

Mas, pior do que olhar apenas para o futuro, é olhar apenas para o passado. Lamentar o passado é pura perda de tempo. "E se's " não existem. Por isso cada decisão tomada nas forquilhas da estrada deve ser bem pensada e pesada; pois, se assim for, não há porque se arrepender no futuro. Fizemos o que deveria ter sido feito no momento, e sigamos adiante.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Feliz Dia de Acao de Gracas!

Happy Thanksgiving! Dia de agradecer por todas as coisas boas (e nao tao boas assim) que acontecem na nossa vida. As vezes as coisas nao tao boas acontecem justamente para nos fazer cair na realidade, digamos assim.

Ate hoje nao me esqueco, e guardo com o maior carinho, de uma plaquinha que recebi da minha great granny americana, quando fiz intercambio nos Estados Unidos. Diz a plaquinha, e eu sempre a fixo em cima da porta de entrada de qualquer casa onde moro, que eh para me lembrar sempre disso:

"Oh Lord, help me to remember that nothing is going to happen to me today that You and I can't handle together".

E nao eh verdade? Enfim, a colheita foi boa, teremos alimentos para o ano, vamos comemorar. Ja estou preparando o meu cartao de credito porque amanha eh Black Friday e vou vasculhar a internet a cata de promocoes que valham a pena...

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Duvida

"E Deus criou o homem à sua imagem e semelhanca".

Ou sera que foi

O homem criou Deus à sua imagem e semelhanca?

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Vaidade das Vaidades

CHAPTER VII - Of fleeing from vain hope and pride

Vain is the life of that man who putteth his trust in men or inany created Thing. Be not ashamed to be the servant of others for the love of Jesus Christ, and to be reckoned poor in this life. Rest not upon thyself, but build thy hope in God. Do what lieth in thy power, and God will help thy good intent. Trust not in thy learning, nor in the cleverness of any that lives, but rather trust in the favour of God, who resisteth the proud and giveth grace to the humble.

2. Boast not thyself in thy riches if thou hast them, nor in thy friends if they be powerful, but in God, who giveth all things, and in addition to all things desireth to give even Himself. Be not lifted up because of thy strength or beauty of body, for with only a slight sickness it will fail and wither away. Be not vain of thy skilfulness or ability, lest thou displease God, from whom cometh every good gift which we have.

3. Count not thyself better than others, lest perchance thou appear worse in the sight of God, who knoweth what is in man. Be not proud of thy good works, for God's judgments are of another sort than the judgments of man, and what pleaseth man is ofttimes displeasing to Him. If thou hast any good, believe that others have more, and so thou mayest preserve thy humility. It is no harm to thee if thou place thyself below all others; but it is great harm if thou place thyself above even one. Peace is ever with the humble man, but in the heart of the proud there is envy and continual wrath.

(tirado de Imitation of Christ, do site do Projeto Gutenberg)

quarta-feira, 13 de junho de 2007

A Indesejada

Pois bem, estava demorando um pouco para colocar esse assunto na pauta do dia, mas como desse encontro nao conseguimos mesmo nos esquivar, tive que traze-lo a tona.

Eu nao tenho medo de morrer, muito antes pelo contrario, como diria todo bom mineiro. Afinal, viver para sempre deve ser tremendamente chato e monotono. Se eu ja estava morrendo de tedio ontem (sem trocadilhos), imagina se tivesse de viver por uma eternidade.

"Uma geração passa, outra vem; mas a terra sempre subsiste. O sol se levanta, o sol se põe; apressa-se a voltar a seu lugar; em seguida, se levanta de novo. O vento vai em direção ao sul, vai em direção ao norte, volteia e gira nos mesmos circuitos. Todos os rios se dirigem para o mar, e o mar não transborda. Em direção ao mar, para onde correm os rios, eles continuam a correr. Todas as coisas se afadigam, mais do que se pode dizer. A vista não se farta de ver, o ouvido nunca se sacia de ouvir. O que foi é o que será: o que acontece é o que há de acontecer. Não há nada de novo debaixo do sol." (Eclesiastes, 1, 4-9).

O fantasma que vem me assombrando, no entanto, eh o fato de certas coisas terem a possibilidade de sobreviver a nos. E ontem tive a certeza final: visitando esse blog, descobri que a autora morreu (pode ser um hoax, nunca se sabe) e ninguem fez o favor de retira-lo do ar. Que coisa mais morbida, Deus me livre; eh como se a pessoa morresse e o parente guardasse todas as roupas, todos os objetos, deixasse o quarto intacto...

Como acho tudo isso muito deprimente, pretendo arrumar umas 2 ou 3 pessoas de confianca na blogosfera, as quais terao todos os meus dados e contatos. Caso eu desapareca da internet sem deixar cheiro nem vestigio, entrarao em contato com a familia. Constatando que perdi inevitavelmente no jogo de xadrez com a indesejada, deverao colocar um post-mortem no blog, deixar o obituario por uns 3 dias, e entao acionar o Blogger para que apaguem a minha pagina definitivamente.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Borges e A Linguagem Analitica de John Wilkins

Funes, el memorioso, me recomendou um ensaio de Jorge Luis Borges. Vou comentar uns trechos que achei muito interessantes.

No ensaio, Borges trata de um tal John Wilkins, que no seculo XVII tentou criar uma nova lingua, de certa forma mais racional que as que temos hoje em dia. Ele descreve algumas palavras, a logica que ha por tras dos conceitos, e obviamente as varias arbitrariedades que aparecem. Diz Borges:

"Nos nao sabemos como o universo eh. Esse mundo - escreveu David Hume - eh apenas o primeiro rude ensaio de uma divindade infantil, que posteriormente o abandonou, envergonhado de sua execucao deficiente; eh obra de um deus subalterno e objeto de chacota por parte de seus superiores; eh a confusa producao de uma divindade decrepita e ultrapassada, que ja morreu. Mas podemos ir mais alem: suspeito que nao ha universo no sentido organico, unificador, que tem essa palavra ambiciosa. Se ha, falta conjecturar seu proposito; falta conjecturar as palavras, as definicoes, as etimologias, os sinonimos, do secreto dicionario de Deus. A impossibilidade de penetrar o esquema divino do universo nao consegue, entretanto, nos dissuadir de planejar esquemas humanos, ainda que saibamos que sao provisorios."

E termina com uma citacao de Chesterton:

"O homem sabe que ha na alma tintas mais desconcertantes, mais inumeraveis e mais anonimas que as cores de uma floresta no outono... Cre, entretanto, que essas tintas, em todas os seus tons e semi-tons, em todas as suas misturas e fusoes, podem ser representadas com precisao por um mecanismo arbitrario de grunhidos e gritos. Ele acredita que do interior de um corretor de acoes saem realmente ruidos que significam todos os misterios da memoria e todas as agonias do desejo."

Ou seja, a realidade existe dentro de nos apenas. Como nao conseguimos expressar essa realidade de forma precisa, tentamos coloca-la da melhor forma possivel, por mais defeituosa que essa forma possa ser. A realidade expressa nunca eh nem nunca sera completa, por falta de um mecanismo preciso de expressao.

Alias, eh exatamente isso que me ocorre no momento: ha na alma as tintas desconcertantes, inumeraveis, anonimas, em maior profusao do que as que ocorrem em uma floresta durante o outono - alias, uma das coisas mais deslumbrantes que ja vi. Mas como expressar de forma satisfatoria tudo o que vai na alma, se nao ha palavras, nao ha expressoes, nao ha forma de comunicacao precisa? Somente quando inventarem uma fotografia que capture todas essas nuances eh que poderemos afirmar que aperfeicoamos o metodo. De outra forma, continuaremos a nao entender o proposito do universo.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Reflexao: Sexta-Feira da Paixao

Como nao consegui escrever nada inspirado, tive que recorrer a autores do passado. Hoje eh um dia de reflexao para mim. Vez ou outra na vida eh bom parar, observar as coisas, e se fazer as perguntas criticas. Na loucura das atribulacoes diarias, eh quase impossivel raciocinar de forma adequada, e a maior parte das respostas ao meio sao reativas, nao conscientes.

Desejo a todos, cristaos e nao cristaos, uma Sexta-Feira da Paixao de muita paz e reflexao, e um Domingo de Pascoa de muita alegria!

1. Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus:
2. tempo para nascer, e tempo para morrer; tempo para plantar, e tempo para arrancar o que foi plantado;
3. tempo para matar, e tempo para sarar; tempo para demolir, e tempo para construir;
4. tempo para chorar, e tempo para rir; tempo para gemer, e tempo para dançar;
5. tempo para atirar pedras, e tempo para ajuntá-las; tempo para dar abraços, e tempo para apartar-se.
6. Tempo para procurar, e tempo para perder; tempo para guardar, e tempo para jogar fora;
7. tempo para rasgar, e tempo para costurar; tempo para calar, e tempo para falar;
8. tempo para amar, e tempo para odiar; tempo para a guerra, e tempo para a paz.
9. Que proveito tira o trabalhador de sua obra?
10. Eu vi o trabalho que Deus impôs aos homens:
11. todas as coisas que Deus fez são boas, a seu tempo. Ele pôs, além disso, no seu coração a duração inteira, sem que ninguém possa compreender a obra divina de um extremo a outro.
12. Assim eu concluí que nada é melhor para o homem do que alegrar-se e procurar o bem-estar durante sua vida;
13. e que comer, beber e gozar do fruto de seu trabalho é um dom de Deus.
14. Reconheci que tudo o que Deus fez subsistirá sempre, sem que se possa ajuntar nada, nem nada suprimir. Deus procede desta maneira para ser temido.
15. Aquilo que é, já existia, e aquilo que há de ser, já existiu; Deus chama de novo o que passou.
16. Debaixo do sol, observei ainda o seguinte: a injustiça ocupa o lugar do direito, e a iniqüidade ocupa o lugar da justiça.
17. Então eu disse comigo mesmo: Deus julgará o justo e o ímpio, porque há tempo para todas as coisas e tempo para toda a obra.
18. Eu disse comigo mesmo a respeito dos homens: Deus quer prová-los e mostrar-lhes que, quanto a eles, são semelhantes aos brutos.
19. Porque o destino dos filhos dos homens e o destino dos brutos é o mesmo: um mesmo fim os espera. A morte de um é a morte do outro. A ambos foi dado o mesmo sopro, e a vantagem do homem sobre o bruto é nula, porque tudo é vaidade.
20. Todos caminham para um mesmo lugar, todos saem do pó e para o pó voltam.
21. Quem sabe se o sopro de vida dos filhos dos homens se eleva para o alto, e o sopro de vida dos brutos desce para a terra?
22. E verifiquei que nada há de melhor para o homem do que alegrar-se com o fruto de seus trabalhos. Esta é a parte que lhe toca. Pois, quem lhe dará a conhecer o que acontecerá com o volver dos anos?

(Eclesiastes, 3 - Biblia Ave Maria)

quinta-feira, 29 de março de 2007

O Implacavel


O tempo sempre exerceu um fascinio incrivel sobre as pessoas. Tic, tac, tic, tac... Os segundos, os minutos, as horas se escoam. Implacavelmente. Indefectivelmente. Eu ficava ouvindo o barulho dos ponteiros do relogio grande da sala, e sempre pensava sobre a areia escorrendo na ampulheta. A unica diferenca eh que, ao contrario da areia da ampulheta, que sempre passa de um compartimento a outro, aqueles minutos ja foram, ja fazem parte do passado. Os cinco minutos que se passaram desde que eu comecei a escrever esse post tambem ja morreram. Para todo o sempre.

Esperando minha colega de grupo terminar a parte dela no trabalho, eu fico aqui, sem dormir. "Dormir! Talvez sonhar." E como um fantasma insone vagando na internet, procuro por Shakespeare, e por Dali, e por outros fantasmas com os quais ocupar o tempo inutil. O tempo, que sempre passa. Infalivelmente. Democraticamente. Para todos.

quarta-feira, 14 de março de 2007

Gloria in Excelsis Deo

Ou de como voltarei a frequentar Missas.

Antes de comecar o post, acho que deveria fazer alguns esclarecimentos. Eu sou catolica apostolica romana, batizada e crismada. Como a maioria dos catolicos, eu nao sigo todas as ordens da Santa Madre Igreja, e muito menos concordo com elas. Tentei buscar outras religioes, e nao gostei de nenhuma em particular. Tentei nao ter religiao alguma, mas sou o tipo de pessoa que aprecia rituais, e nada mais cheio de rituais do que uma religiao. Entao resolvi continuar catolica mesmo, apesar dos pesares.

Entretanto, um dos rituais que mais apreciava no Catolicismo, a Missa, havia acabado ha muito tempo na minha opiniao. Obviamente nao sou do tempo da Missa em latim. Mas sou do tempo em que a Missa era um evento serio. Em primeiro lugar, as pessoas se vestiam bem para ir a Missa. Nada de mini-saia ou blusa decotada, ha que se mostrar respeito na Casa do Senhor. Depois, havia incenso. O cheiro do incenso (e eu tenho uma memoria olfativa estupenda) me remete ainda a tempos imemoriais... O incenso contribui para a elevacao dos pensamentos; alias, o incenso eh o meio de transporte dos nossos pensamentos a Deus. O incenso adicionava uma aura de misterio, de mistico mesmo se quiserem usar a palavra...

Eu tambem sou do tempo em que era proibido bater palma na igreja. Palmas? A igreja eh um local serio. Nao eh para ficar dando risada e batendo palminhas. Eh um local de reflexao, por isso a necessidade de seriedade. Quer bater palma e escancarar os 32? Vai para um bar beber cerveja com os amigos. Nao va a Missa, por favor.

E as musicas entao... Assim como o incenso, a musica transporta os pensamentos, mesmo os mais reconditos. Eu nao quero musica popular dentro da Igreja. Se quero ouvir som de guitarra, ligo o meu I-Pod. Quero musica inspiradora, ritualistica. Quero que tragam de volta os velhos orgaos de tubos, e quando muito um violao acustico e uma flauta. Adorei a ideia de se ter canto gregoriano nas Missas.

E os gestos, acabem com esses gestos ridiculos, por favor. Banam todos! Quando eu era pequena, ninguem ficava imitando o Padre ao rezar o Pai Nosso. Acho que ainda sou a unica em uma igreja brasileira que nao levanta as maos na oracao.

Eh por essas e outras que parei de frequentar as Missas. Agora que o Papa Bento XVI quer resgatar o sentido da Missa, voltarei aos templos. Feliz da vida! E o Padre Marcelo e os carismaticos de plantao que fundem uma seita neo-pentecostal. Poderao cantar, rebolar, bater palma, enfim, fazer o carnaval que quiserem, do jeitinho que quiserem... Mas deixem a Missa Catolica voltar a ser o que era: um momento de reflexao.