A gente vive em um mercado de livre concorrência ou o quê? O que é isso da ANAC sugerir às companhias aéreas a largura das poltronas, o espaçamento entre elas? Daqui a pouco o Jobim vai dizer que só pode servir amendoim da marca X, e não da marca Y. O papel da agência reguladora, no meu entendimento, é verificar se há abusos em relação ao consumidor, não ditar as regras do mercado. E no Brasil é sempre assim, nunca conseguem acertar no alvo: estão sempre atirando para os lados. Na época do Waldir Pires a ANAC era subserviente às companhias aéreas, agora ela é o terror das empresas.
Eu vou dizer como funciona aqui nos EUA, que tem um mercado de aviação no mínimo 10 vezes maior que o Brasil: há classe executiva em qualquer aviãozinho regional. Você sai daqui de NY e vai para Washington (menos de 1 hora de vôo), e há classe executiva. Uma vez perguntei a um amigo: quem é otário de pagar classe executiva para voar menos de 1 hora? E ele me respondeu: olha só, o mundo está cheio de otários, olha lá aqueles caras na executiva. Tem gente que paga, pois é, graças a Deus para a economia que o mundo está cheio de "otários".
Então Jobim, se os gordos e os altos precisam de mais espaço, que paguem a executiva. Não é justo que eles paguem o mesmo preço de uma pessoa normal, afinal de contas consomem mais combustível e mais espaço, correto? Segue reportagem:
Da AE - "Depois das críticas feitas pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, ao pouco espaço reservado para os assentos nos aviões, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) instaurou ontem consulta pública para definir novas regras e ampliar as poltronas de passageiros. Na exposição de motivos, a Anac afirma que a aprovação das novas poltronas garantirá que "a instalação entre os assentos de passageiros em aeronaves proporcionará um nível de segurança adequado ao ocupante, bem como benefícios ao passageiro, operador e à economia brasileira".
O aviso de consulta pública foi publicado no Diário Oficial da União de ontem e é assinado pelo presidente da Anac, Milton Zuanazzi. Valerá para aviões com capacidade para 100 ou mais passageiros. A medida deixa claro que já passaram a prevalecer no órgão as posições do ministro Nelson Jobim, que recebeu carta branca do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tomar as decisões que considerar necessárias para resolver a crise do sistema aéreo nacional.
Pelo estudo da Anac, seriam criados duas subclasses dentro da classe econômica dos aviões. Os "assentos diferenciados tipo 1" seriam destinados a pessoas consideradas obesas - com índice de massa corpórea acima de 40 kg por metro quadrado, o equivalente a uma pessoa de 1,70 m e 115 quilos. Já os "assentos diferenciados tipo 2" teriam como público-alvo pessoas com estatura superior a 1,90 metro. Em ambas as configurações, a distância entre as poltronas seria de 81,28 centímetros. Hoje, as grandes empresas adotam, em média, 77,5 cm. A agência propõe que a largura desses assentos seja de 46,99 cm - ante os atuais 30,48 cm. Seriam quatro poltronas do "tipo 1" e outras quatro do "tipo 2". As demais seguiriam a especificação limite - 68,58 cm de distância."